Pular para o conteúdo
Polícia

Da imigração libanesa à mira da PF: a trajetória do clã Haidar na fronteira de MS

Investigação identificou sete membros da família envolvidos em suposto esquema de tráfico de armas e drogas que movimentou R$ 500 milhões em dois anos
Gabriel Maymone -
Da imigração libanesa à mira da PF: a trajetória do clã Haidar na fronteira de MS
Hípica de Fahd Haidar e residencial de propriedade de Adel Haidar, ambos em Ponta Porã. (Reprodução)

Alvos de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão — sob a acusação de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de drogas e armas que movimentou mais de R$ 500 milhões —, integrantes da família Haidar são conhecidos no comércio da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

As investigações da Operação Ifrit, da Polícia Federal, apontaram que a liderança do esquema era comandada pelos irmãos Adel Hassan Haidar e Nasser Haidar, que estão foragidos, e Bassan Hassan Haidar, que está preso.

Imigrantes libaneses

Documentos judiciais de inventário protocolados na Vara Cível de revelam os detalhes da estrutura e das origens familiares que fundamentaram a presença da dinastia libanesa em Mato Grosso do Sul ao longo das últimas décadas.

A história da família no Brasil tem como marco central o patriarca Hassan Hussein Haidar Ahmad — pai dos três investigados citados. Consta nos registros que Hassan imigrou para o país, estabeleceu residência em Ponta Porã e obteve a cidadania e registro estrangeiro permanente no Brasil.

Após se aposentar e atuar no comércio da região fronteiriça, Hassan faleceu aos 86 anos, em 22 de abril de 2021, no Hospital Santa Rita, em . O patriarca deixou um espólio imobiliário em Ponta Porã, incluindo frações de terrenos urbanos e construções comerciais avaliadas judicialmente e partilhadas entre seus herdeiros.

Dinheiro apreendido durante a Operação Ifriti, em mandados cumpridos em Mato Grosso do Sul. (Divulgação, PF)

Família de comerciantes

Entre os oito filhos, a maioria é qualificada profissionalmente como comerciante, na região de fronteira e em outros estados.

  • Adel Hassan Haidar: dono de residencial que aluga quartos, em Ponta Porã;
  • Bassam Hassan Haidar Ahmed: empresário com atuação em Mato Grosso, com indústria de cimento e segurança privada;
  • Fahd Haidar: dono do Centro Hípico Fahd Haidar, em Ponta Porã;
  • Nasser Haidar: dono de holding com patrimônio de R$ 2,8 milhões;
  • Mamede Alhaj Haidar: dono de lava-rápido em Ponta Porã;
  • Adule Vasques Haidar: chegou a ter um ponto de venda de açaí, mas fechou a loja em 2023.

Outro membro da família que foi alvo da operação, mas já estava preso, é Maroan Fernandes Haidar Ahmed, condenado pelo assassinato de Fábio Batista da Silva na cidade de , em Mato Grosso.

Tráfico de armas e drogas

Infográfico mostra como funcionava o esquema. (Divulgação, Receita Federal)

As investigações revelaram que policiais vazavam informações estratégicas e prestavam apoio logístico às operações do crime organizado. Três policiais civis de Mato Grosso do Sul já foram afastados das funções por ordem da Justiça.

A organização criminosa transnacional usava Mato Grosso do Sul como rota central para o tráfico de armas e o envio de drogas para a Europa, com movimentação superior a R$ 500 milhões em apenas dois anos.

As investigações apontam que a estrutura de comando era estritamente familiar. Além dos três irmãos apontados como líderes, filhos e outros parentes integravam o primeiro escalão do grupo, dividindo tarefas financeiras e operacionais com operadores nacionais e estrangeiros.

Para garantir a impunidade e a livre circulação de cargas de drogas, o grupo cooptou policiais civis, militares e até um PRF (policial rodoviário federal).

Aparato militar na fronteira

PF deflagrou operação contra grupo que enviava armas e drogas de MS para a Europa. (Divulgação, PF)

Conforme a PF, o clã mantinha uma verdadeira estrutura de guerra na fronteira, ponto estratégico para a entrada de armas e drogas que, posteriormente, eram distribuídas a grandes centros consumidores no país e países da Europa, como Portugal e Espanha.

Para blindar os líderes e garantir a segurança das rotas e dos depósitos, a organização contava com uma estrutura logística avançada. Dessa forma, a PF mapeou e identificou o uso de aparato altamente tecnológico.

Assim, as investigações apontaram que o grupo utilizava veículos blindados para o deslocamento de lideranças e a escolta de cargas de alto valor.

Para garantir o monitoramento constante de movimentações policiais ou grupos rivais, os investigados também tinham à disposição drones e equipamentos de comunicação de última geração.

O armamento também era de alto poder ofensivo, como fuzis e farta munição.

Para acomodar tudo isso, o esquema montou estruturas como se fossem “fortalezas”, com abrigos para homens fortemente armados que faziam a segurança dos depósitos de armas e drogas.

A estrutura contava, ainda, com ações sistemáticas de contrainteligência para rastrear e antecipar eventuais investidas das forças de segurança estaduais e federais.

Sabe de algo que o público precisa saber? Fala pro Midiamax!

Se você está por dentro de alguma informação que acha importante o público saber, fale com jornalistas do Jornal Midiamax!

E pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.

Fala Povo: O leitor pode falar direto no WhatsApp do Jornal Midiamax pelo número (67) 99207-4330. O canal de comunicação serve para os leitores falarem com os jornalistas. Se preferir, você também pode falar com o Jornal direto no Messenger do Facebook.

(Revisão: Nichole Munaro)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
Caravina cobra prioridade em trechos urbanos e transparência em serviços na Rota da Celulose

Caravina defende oxigenação Sejusp-MS após prisões de agentes

VÍDEO: Jacaré é flagrado no meio da rua em bairro de Nova Andradina

VÍDEO: Jacaré é flagrado no meio da rua em bairro de Nova Andradina

Imasul e Ibama fazem monitoramento do Rio Paraguai após barcaça com minério afundar

Minério derramado no Rio Paraguai pode afetar peixes e esconder risco químico

Marinha abre inquérito sobre afundamento de barcaça com minério no Rio Paraguai

Naufrágio de barcaça reacende alerta ambiental no Pantanal, marcado por desastres desde 1970

Notícias mais lidas agora

Marinha abre inquérito sobre afundamento de barcaça com minério no Rio Paraguai

Naufrágio de barcaça reacende alerta ambiental no Pantanal, marcado por desastres desde 1970

Infiltrados na Sejusp: Gaeco mira 9 policiais da Defron e delegado por desvio de cocaína

Infiltrados na Sejusp: Gaeco mira 9 policiais da Defron e delegado por desvio de cocaína

Prefeitura cita risco de desvio e quer barrar sócios do Consórcio de acessar R$ 52 milhões

Venda do Consórcio Guaicurus passa no Cade apesar de alerta sobre ‘caos financeiro’

Apontado como operador financeiro de grupo do tráfico vivia em casa de alto padrão na fronteira

Apontado como operador financeiro de grupo do tráfico vivia em casa de alto padrão na fronteira

Últimas Notícias

Brasil

Polícia investiga responsabilidade de hotel em morte da jovem que caiu de prédio no MA

As imagens da câmera de segurança mostra o momento em que Renata Rebeca Negrão Saldanha se apoia na estrutura e cai

Transparência

Corumbá responde por mais de 56% da arrecadação com mineração em MS

Cidade registrou afundamento de barcaça carregada de minério no fim de semana

MidiaMAIS

Brechós se unem para dia dos achadinhos neste fim de semana em Campo Grande

Vem Garimpar será realizado no próximo sábado, 7 de novembro

Agronegócio

Seminário discute oportunidades da Rota Bioceânica para o desenvolvimento de MS

Seminário Conexões Criativas, no Bioparque Pantanal, vai debater oportunidades de integração comercial com Paraguai, Argentina e Chile e os impactos da conexão internacional para o desenvolvimento econômico do Estado