Uma mulher de 23 anos, vítima de cárcere privado na semana passada, em Campo Grande, entra para a triste estatística das mais de 12 mil vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, somente em 2026. Depois de histórias de violência como essa, muitas mulheres entram na Justiça com pedido de medida protetiva de urgência, na tentativa de se protegerem do agressor. Em Mato Grosso do Sul, o Promuse (Programa Mulher Segura), criado em 2014 para fortalecer a segurança das mulheres, fiscaliza com afinco as medidas protetivas solicitadas pelas vítimas.
De acordo com a entidade, em 2025, foram realizadas ao menos 20.049 fiscalizações de medidas protetivas de urgência. Além disso, foram registradas 1.343 ocorrências de descumprimento dessas determinações.
“Atualmente o Promuse tem uma atividade mais específica de fiscalizar as medidas protetivas já definidas pelo Poder Judiciário, após um atendimento junto à Polícia Civil e o registro dessas ocorrências. Mas o programa também interage com a comunidade que é vítima, pegando denúncias, recebendo essas informações, conferindo casos como esse (cárcere privado) que a gente atendeu”, explicou ao Jornal Midiamax o comandante 9° Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Edcezar Zeilinger.
A história da mulher mantida em cárcere privado não teve um desfecho trágico; a mulher conseguiu fugir pulando a janela da casa e acionou a Polícia Militar. O comandante destaca que uma policial militar que estava de folga, moradora do Jardim Noroeste, bairro onde aconteceu a ocorrência, auxiliou a vítima e fiscalizou o local. A situação, segundo as investigações, ia muito além do cárcere privado de uma semana.
“Naquele momento, uma policial militar que mora na região teve a sensibilidade, até talvez por ser mulher, de ver aquele possível caso ali, onde uma mulher estava sendo vítima por cerca de cinco meses, sendo submetida a uma condição degradante, não podia nem ter acesso a um celular ou acesso para fora da casa. Havia várias restrições de direito a essa pessoa, por meio de violência e ameaça.”
O comandante ainda ressalta que “o Promuse se envolve em ações como essa, comuns da Polícia Comunitária, onde você se preocupa com o vizinho, com o próximo, entende o que está acontecendo e busca atendimento, seja na Polícia Militar, na Polícia Civil.”
Violência
Dados do Monitor da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), mostram que, somente neste ano, até o início de agosto, já foram registradas mais de 12 mil vítimas de violência doméstica no Estado e mais de 12 mil solicitações de medidas protetivas, entre 1º de janeiro e 12 de agosto, conforme dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Desse total (12 mil), mais de 11 mil foram concedidas, já que alguns casos não são atendidos conforme decisão do juiz.

Promuse
O programa é voltado ao enfrentamento da violência doméstica, por meio de ações de prevenção, promovendo a segurança pública e os direitos humanos, realizando intervenções familiares com vítimas e agressores e encaminhando-os aos demais órgãos que compõem a rede de apoio e proteção.
O Promuse está operante em 39 municípios dos 79 em Mato Grosso do Sul.
Cárcere privado
Uma mulher de 23 anos foi mantida em cárcere privado pelo então companheiro, de 38 anos, depois de ser agredida, na semana passada, no Jardim Noroeste. Na terça-feira (11), uma semana após ser mantida trancada em casa, a vítima conseguiu fugir e acionar a Polícia Militar.
Conforme informações da polícia, a jovem foi agredida com socos e chutes pelo homem. Segundo a vítima, o suspeito não prestou socorro e a manteve trancada para evitar que outras pessoas percebessem os ferimentos.
A mulher conseguiu fugir pelas janelas do imóvel que estavam abertas. Uma equipe do 9º BPM, então, deslocou-se ao local e encontrou o autor com os filhos e a bebê da vítima, de 6 meses.
Ao ser abordado, o homem apresentou comportamento agressivo. Com isso, a equipe policial usou teaser e spray de pimenta para tentar conter o suspeito.
Os filhos do suspeito foram entregues a uma tia, que esteve no local no momento da prisão.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







