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Polícia

Homem é preso com espingarda em Dourados durante operação contra esquema de fraude de R$ 27 milhões

Esposa do preso foi alvo de busca e apreensão em operação que apura desvio de R$ 27 milhões
Fábio Oruê, Layane Costa -
(Arquivo, Jornal Midiamax)

Um homem de 47 anos foi preso por posse irregular de arma de fogo, em Dourados, durante cumprimento de mandado na Operação Gutenberg, deflagrada nesta terça-feira (7). A mulher dele, uma dentista, foi alvo de busca e apreensão.

Conforme o boletim de ocorrência, durante o cumprimento do mandado, as equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) encontraram a espingarda, além de munições. Por conta disso, ele foi preso e encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Dourados.

Caso semelhante ocorreu em Porto Murtinho, em que um servidor da prefeitura — alvo de busca e apreensão — foi preso com uma arma. Ele pagou fiança e foi liberado.

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, , , , Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Confira os alvos confirmados até o momento:

  • Rossana Paroschi Jafar, empresária;
  • Olívia Jafar, médica e filha de Rossana;
  • Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul e filho de Rossana;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;
  • Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;
  • Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo;
  • Francisco Anizio dos Santos;
  • Matheus Oliveira Peixoto;
  • Joatan Gomes Peixoto;
  • Paulo Rogério de Melo, empresário;
  • Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo;
  • Gabriel Taquino de Paula, advogado.

Desvios de R$ 27 milhões

O Gaeco deflagrou a operação para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.

As investigações revelaram que o grupo usava a liberação para exames e internações como moeda de troca para forçar gestores a comprarem livros. O esquema desviou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.

A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.

O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.

Governo de MS se manifestou sobre servidores

Governo de Mato Grosso do Sul emitiu nota informando que irá afastar ou exonerar servidores envolvidos na Operação Gutenberg. O Governo afirmou que instaurou auditorias para apurar os procedimentos suspeitos de fraude.

As investigações apontaram que o esquema atuava na regulação estadual de saúde, em que usava a liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros didáticos.

O coordenador da regulação — o Core —, Ed Carlos Britto Burgatt, está entre os presos. Ele é concursado como auditor de serviços de saúde e deverá ser afastado durante os procedimentos no Governo.

O ex-prefeito de Fátima do Sul Júnior Vasconcelos é escrivão concursado da Polícia Civil e deverá ser afastado também. Já Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul, deverá ser exonerado.

Ex-prefeito preso

Júnior Vasconcelos foi prefeito de Fátima do Sul entre 2013 e 2016, mas mora atualmente em Campo Grande, onde atua como assessor parlamentar na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), no gabinete do deputado Jamilson Name (PP). Ele é concursado na Polícia Civil para o cargo de escrivão.

parlamentar emitiu nota à imprensa esclarecendo não ter relação alguma com a Operação Gutenberg. Conforme o texto, Júnior Vasconcelos não atua como chefe de gabinete. Ele é escrivão e está cedido para atuar no gabinete do deputado para exercer funções administrativas.

Na nota, Jamilson Name também afirmou prestar respeito às instituições e entende que as investigações devem ocorrer com responsabilidade e observando o devido processo legal.

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