A Justiça Federal manteve o recebimento da denúncia e marcou a primeira audiência de instrução na ação contra Rogério Siqueira Azambuja, que é réu por tráfico de drogas na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Ele — que já foi apontado como suspeito de tráfico há 20 anos — e outros dois homens foram presos pela PF (Polícia Federal) em maio de 2026.
Para a defesa de Rogério, a acusação do MPF (Ministério Público Federal) não detalhou a atuação dele na suposta organização criminosa, atribuindo ao réu uma posição de comando. Além disso, o relatório policial não é categórico ao apontar a autoria dos crimes atribuídos a ele.
A defesa dos outros homens também apontou falta de individualização das condutas criminosas ou alegou que vai se manifestar em outro momento do processo.
Na decisão, o juiz federal substituto Felipe Alves Tavares, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, apontou que a investigação apontou a autoria de cada réu, estando a acusação estruturada para prosseguir com a ação.
“A peça acusatória encontra-se estruturada com o mínimo de solidez documental, discursividade argumentativa com descrição de fato, local, data e modo de execução. Ademais disso, neste momento de cognição sumária, verifico indícios suficientes de coautoria e nexo causal mínimo entre a conduta e o resultado, para corroborar a tese deduzida na denúncia, aptos a autorizar o seu recebimento, na medida em que nessa fase processual deve ser observado o princípio do in dubio pro societate”, pontuou.
Assim, ele rejeitou as alegações das defesas e manteve a denúncia, além de agendar audiência de instrução para o dia 2 de outubro.
Operação Lucis
Equipes da Polícia Federal cumpriram mandados em Campo Grande, Dourados e Ponta Porã em 19 de maio de 2026. Entre os locais, os agentes foram até uma casa de alto padrão no bairro Nossa Senhora das Graças.
A PF investiga os crimes de organização criminosa, tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, entre outros. Além de Mato Grosso do Sul, os agentes também cumprem mandados em Mato Grosso, São Paulo e Bahia.
As investigações começaram em 2024, quando policiais apreenderam mais de meia tonelada de cocaína em Ponta Porã.
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