As fiscalizações realizadas em lojas de Campo Grande na última semana resultaram em mais de 4 mil pares de tênis apreendidos e duas prisões em flagrante. O balanço aponta para um dos maiores prejuízos do ano até o momento contra o mercado de réplicas — isto é, produtos falsificados — na Capital.
A ação começou após uma denúncia anônima sobre produtos falsificados em lojas de bairro e do Centro. A operação foi feita em conjunto pelas equipes do Procon-MS e da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo).
No primeiro dia, as equipes fecharam uma loja no Jardim Bálsamo e apreenderam diversos produtos em uma loja na 14 de Julho. No dia seguinte, recolheram mais mercadorias em dois comércios também na Rua 14 de Julho — dessa vez, as lojas eram de eletrônicos e utilidades.
A reportagem do Jornal Midiamax conversou com a polícia para entender como funcionam essas batidas. Segundo o delegado da Decon, Wilton Villas Boas, as fiscalizações ocorrem da mesma forma em todas as regiões de Campo Grande. Assim, não existe tratamento diferenciado entre as lojas que ficam na rua e os boxes do Camelódromo, que também são monitorados.
“Já teve a operação [no Camelódromo], esse ano, inclusive. Já teve várias apreensões. A Polícia Federal também fez uma apreensão lá. Eu mesmo já fiz fiscalizações em outra oportunidade. São vários locais. Isso é muito cultural. Na medida do possível, todos os locais vão ser fiscalizados”, explicou.
Riscos para a saúde
O delegado explicou que o Camelódromo funciona como um centro comercial popular e que muitos desses produtos acabam sendo aceitos culturalmente pela população. No entanto, alerta que a venda de réplicas traz prejuízos que vão além da pirataria, afetando diretamente a saúde de quem compra.
Diferentemente dos modelos originais, os tênis falsificados não passam por testes de qualidade e segurança antes de chegarem ao consumidor. A falta de controle na fabricação desses materiais faz com que as mercadorias cheguem às prateleiras sem nenhuma garantia.
O delegado explicou ainda que o crime de falsificar e adulterar produtos é um risco ao consumidor. “Além de ter sonegação de impostos sobre esses produtos, há uma concorrência desleal com as marcas que de fato investem nos produtos de qualidade. E a maioria desses produtos não tem qualidade nenhuma, além de ser um risco para a população”, explicou.
A Decon pontuou ainda que o uso de materiais inadequados, como eletrônicos falsificados ou produtos sem certificação, pode causar problemas graves ao consumidor, que corre o risco de ter problemas de saúde relacionados à falta de qualidade dos produtos falsificados.
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(Revisão: Nichole Munaro)







