“Pai, cheguei no serviço. Cheguei bem, graças a Deus.” Era com uma ligação simples como essa que Newerton Bruno Pereira de Souza, de 33 anos, costumava tranquilizar o pai, Leonardo de Souza, ao chegar ao trabalho. Nesta terça-feira (29), durante o velório do filho, a lembrança da rotina ganhou outro significado para a família.
Newerton morreu na segunda-feira (28), em um acidente de trânsito, quando seguia de motocicleta para o trabalho, em Campo Grande.
Muito abalado, o pai conversou com a reportagem do Jornal Midiamax, mas foi difícil encontrar palavras para lidar com a perda. Em meio à despedida, ele lembrou principalmente do jeito carinhoso e trabalhador do filho.
“Meu filho era tudo. Meu filho, eu vou te falar, trabalhador. A firma estava toda aí; o pessoal da empresa, até o patrão dele estava aqui. Então, você tem a base de tanto que ele era querido. Olha, meu amigo, sem palavras. A perda do meu filho foi muito grande, demais”, lamentou.
Newerton trabalhava como operador de empilhadeira em uma empresa de reciclagem na Avenida Cônsul Assaf Trad. Segundo o pai, ele estava há cerca de um ano na empresa. A presença dos colegas e até do chefe durante a despedida, para ele, demonstra o quanto o filho era querido no ambiente de trabalho.
Entre as lembranças que ficam, o pai destacou pequenos gestos que faziam parte da relação entre os dois.
“O que ele deixa é só alegria para mim. Era uma pessoa que tinha um coração muito bom, bom demais. Era um menino de quem todo mundo gostava, prestativo. Não é porque eu sou pai dele. Ele chegava no serviço e me ligava: ‘Pai, cheguei no serviço, cheguei bem, graças a Deus’. Era um menino carinhoso, muito carinhoso, demais”, contou.
É justamente essa proximidade que, segundo ele, torna a despedida ainda mais difícil. “É isso que dói na gente, sabe? Por ele ser tão carinhoso. Perder um filho não é fácil, não é fácil. Tem hora que a gente entra em comoção, mas tem que se firmar, tem que se pegar com Deus para dar força nesse momento”, disse.
Segurança no trecho
Em meio ao luto, o pai de Newerton também questionou a segurança no trecho onde o filho morreu. O caminhoneiro afirmou passar pela região com frequência e relatou já ter presenciado outros acidentes nas proximidades.
“Ali tinha que ter uma sinalização. Aquela descida ali, eu sei lá, tinha que fazer alguma coisa, alguma lombada, alguma coisa ali, porque tem muitos acidentes naquele trecho”, afirmou.
Segundo ele, a frequência com que utiliza a via faz com que conheça bem o local. “Eu passo sempre ali com o caminhão carregado. Uma, duas, três vezes por semana, estou passando carregado ali. Então, toda vez que você passa, é um acidente, e só naquele trecho”, relatou.
Acidente
Newerton estava conduzindo uma motocicleta a caminho do trabalho, quando houve uma batida com uma caminhonete no cruzamento da BR-163 com a Rua Wagner Jorge Bortotto Garcia.
A caminhonete seguia pela Rua Wagner Jorge Bortotto Garcia, enquanto Newerton e um colega de trabalho seguiam, cada um em uma motocicleta, pela rodovia, no sentido da saída para Cuiabá. Os veículos colidiram e Newerton não resistiu aos ferimentos. O colega dele foi socorrido em estado grave para a Santa Casa.
Ainda não foi confirmado se algum dos envolvidos trafegava em alta velocidade, e as causas da colisão também são desconhecidas. A polícia deve investigar o caso como homicídio culposo na direção de veículo automotor.
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)








