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Polícia

Militar do Exército admite risco de matar em audiência sobre acidente que vitimou motociclista

Acidente aconteceu em junho deste ano, na região central de Campo Grande
Aline Machado, Jennifer Ribeiro -
Motorista com sinais de embriaguez mata motociclista em acidente no centro
Após atingir motociclista, caminhonete derrubou árvore e parou em estacionamento de clínica médica. (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

O militar do Exército, de 22 anos, acusado de matar a vigilante Miriam Rosa Matos em um acidente de trânsito em junho deste ano, participou, nesta segunda-feira (13), da primeira audiência de instrução e julgamento sobre o caso, na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Durante depoimento, ele admitiu que oferecia risco por ter dirigido alcoolizado.

Nesta tarde, foram ouvidas três testemunhas, além do réu. O primeiro a ser ouvido foi um policial militar que atendeu a ocorrência. Ao juiz, ele informou detalhes sobre a cena encontrada após o acidente e disse que a colisão poderia ter sido evitada. “Foi por fração de um segundo. Eu estava acostumado a mexer com atendimento de trânsito, mas este foi bem complexo”, relatou.

O réu foi o último a prestar depoimento. Ao ser questionado sobre o que ocorreu no dia do acidente, ele informou que era soldado desde 2023 e estava afastado, há cerca de dois anos, por transtornos psiquiátricos.

Em depoimento, o militar também disse que, antes do acidente, estava fazendo uso de novos medicamentos para controle de ansiedade, depressão e esquizofrenia. O réu também justificou que não bebia com frequência, mas, na madrugada anterior, havia saído com um amigo e os dois ingeriram bebidas alcoólicas. Ao ser questionado sobre o fato de ter bebido, ele admitiu ter ciência de que oferecia risco por estar alcoolizado.

O amigo do réu, que estava com ele na caminhonete no dia do acidente, disse que havia comprado uma garrafa de destilado e levado para o amigo, mas que os dois tomaram a bebida em um bar. Depois, foram para um segundo bar, deixaram umas amigas em casa e seguiram para a casa de outros amigos.

Fuga e velocidade acima do permitido

Antes do acidente que matou a motociclista, a dupla se envolveu em uma colisão com um motorista de aplicativo. Ao juiz, o militar do Exército contou que, no momento da colisão, estava fugindo do outro condutor.

“Entrei em pânico. Fiquei com medo de tomar um tiro”, justificou, informando que o motorista do Virtus teria apresentado comportamento agressivo após a colisão.

A versão foi negada pelo motorista do Virtus, que também foi ouvido durante a audiência de instrução. Ao juiz, a testemunha afirmou que sentiu um impacto forte da caminhonete batendo no para-choque e na porta do motorista.

“Quando me dei conta da batida, comecei a buzinar e a jogar luz forte para fazer com que ele parasse para resolver, mas ele continuou. Não parou. Ele estava tão rápido, que a distância ficou muito maior entre nós, estava a quase uma quadra. Nem via a outra batida, só ouvi o barulho”, explica.

“Fui até a esquina. Vi que tinha muita gente no local e que a caminhonete estava muito danificada, mas não vi quem estava dirigindo. Não tive nenhum contato com o motorista. Só falei com a polícia sobre o acidente com meu carro”, reforça.

Ao juiz, o militar informou que estava entre 60 km/h e 70 km/h no momento em que colidiu com a motociclista. No entanto, um laudo pericial indica que a velocidade era de aproximadamente 120 km/h. “Eu não estava nessa velocidade”, frisa.

Embora tenha negado estar dirigindo na velocidade indicada pela perícia, o militar admitiu ter passado por sinais vermelhos nos semáforos entre a batida com o Virtus e a colisão com a moto de Miriam.

Atualmente, o réu está internado em uma clínica psiquiátrica. Até o momento, a data do julgamento não foi informada.

Relembre o caso

O acidente aconteceu no dia 20 de junho deste ano. A motociclista Miriam Rosa Matos seguia pela Padre João Crippa em direção à Rua , quando foi atingida pelo condutor da caminhonete, que estava na Maracaju sentido Avenida Presidente Ernesto Geisel.

Com o impacto da colisão, Miriam — que pilotava uma Yamaha Factor 150 — foi lançada da moto por cerca de 20 metros e o veículo ficou destruído. O calçado dela foi encontrado do outro lado da rua. A vítima não resistiu e morreu no local.

O condutor da caminhonete perdeu o controle da direção e derrubou uma árvore. O veículo parou no estacionamento de uma clínica médica, a alguns metros de distância do local do acidente. O capô da caminhonete e os dois faróis foram arrancados com a colisão, e as portas dos passageiros ficaram destruídas.

Tanto o motorista quanto o passageiro apresentavam sinais de embriaguez e foram levados sob escolta policial para atendimento médico. Pouco depois, o passageiro foi liberado e conduzido para a Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada).

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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