Um áudio revelou a participação de Yuri Silva Santos Modesto, de 27 anos, no roubo de mercadorias contrabandeadas, as muambas, que resultou na morte de Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 28 anos, no bairro Parque do Lageado, em Campo Grande. Ele havia enviado uma mensagem pedindo para que o pai não utilizasse o carro. O veículo foi utilizado por ele e pelos comparsas durante o crime na última sexta-feira (16).
Segundo informações apuradas pela reportagem do Midiamax, o pai de Yuri foi parado por uma equipe do Batalhão de Choque, enquanto seguia para o trabalho com o carro do filho. O veículo já havia sido identificado nas investigações sobre o crime.
Ao ser abordado, ele informou que o carro pertencia ao filho e disse que Yuri havia dado orientações sobre a utilização do veículo; em seguida, ouviu o áudio na frente dos policiais. A mensagem revelava a participação do filho no crime.
No áudio, o suspeito pede perdão aos pais e afirma que iria para outra cidade, onde ficaria por uma semana. Na mensagem, ele orienta que o pai mantenha o carro guardado e que não utilize o veículo. No entanto, ele não diz detalhes sobre o que aconteceu.
Pouco depois, Yuri foi abordado por uma equipe da Força Tática em uma cidade na região oeste do Estado. Ao ser informado de que o pai dele havia sido encontrado com o carro utilizado no latrocínio, ele confessou a participação no crime.
Aos militares, o suspeito contou que devia um dinheiro ao primo, Bruno Santos, que está no sistema prisional, e havia pedido que ele colaborasse utilizando o próprio carro para auxiliar na logística, prestando suporte aos envolvidos e à fuga. Ele teria aceitado para quitar a dívida.
Yuri também relatou que recebeu orientações do primo, dizendo que ele deveria procurar um comparsa no bairro Caiobá, que ficaria responsável por fornecer e guardar as armas utilizadas no crime, além de repassar informações sobre o planejamento.
Após encontrar o comparsa, Yuri conduziu o veículo até outro imóvel para buscar outro envolvido, Bruno Rafael Souza da Silva, conhecido como “Neguinho”, a quem o outro comparsa teria entregado um revólver. Na sequência, o responsável por informar o plano orientou Yuri a seguir para a casa da vítima.
Roubo seguido de morte
No momento do assalto, a vítima chegava de viagem de carro, junto da esposa. Quando a mulher dele foi abrir o portão, os suspeitos colocaram uma arma na cabeça dela e a forçaram para dentro da residência.
Gian foi socorrido e levado em estado gravíssimo e encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Universitário. Diante da gravidade do ferimento, foi transferido para a Santa Casa, onde não resistiu.
Na ocasião, os suspeitos roubaram o veículo Gol, de cor vermelha, que pertencia à vítima e estava carregado com as mercadorias.

Fuga
Após os disparos, Yuri deixou o local em seu veículo, um Gol prata, enquanto os comparsas fugiram no carro roubado. Posteriormente, o comparsa teria informado que as mercadorias seriam armazenadas em uma residência na Rua Visconde de Suassuna. Ele também teria solicitado que Yuri buscasse os envolvidos em um endereço onde incendiariam o carro da vítima.
Yuri também afirmou que, depois disso, deixou os comparsas em suas casas e retirou os adesivos da traseira de seu carro para dificultar sua identificação. Em seguida, ele teria solicitado uma corrida particular e fugiu para outra cidade, onde foi preso.
Morte de comparsa
Ao ser informado de que o pai dele havia sido encontrado com o carro utilizado no latrocínio, Yuri informou detalhes sobre o crime. Na casa de um dos suspeitos, apontado como responsável por dar as instruções sobre o roubo, a polícia encontrou três munições de calibre .38. O homem não estava e ninguém foi preso no local.
Na sequência, uma equipe da Rotac seguiu até a casa de Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, que é apontado como autor do disparo que matou Gian Marcelo Samaniego Ramão. Ele morreu após ser atingido durante confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar, na madrugada desta segunda-feira (19), no bairro Caiobá, em Campo Grande. Bruno chegou a ser socorrido e encaminhado ao CRS (Centro Regional de Saúde) Coophavilla, mas não resistiu.
As mercadorias roubadas foram encontradas em uma casa abandonada na Rua Visconde de Suassuna. No local, estavam escondidas caixas de cigarros, pneus, medicamentos e produtos elétricos.
Na casa, também foram apreendidos: um colete balístico, duas placas balísticas, uma arma longa de calibre 12, municiada, dois chassis conversores para pistola e diversas munições intactas de diferentes calibres. O veículo utilizado no crime também foi apreendido e levado para a Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Furtos e Roubos de Veículos). O caso segue sob investigação.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






