A família de uma bebê de apenas 3 meses, que morreu após ser internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, em junho deste ano, cobra respostas sobre a morte da criança. Os pais chegaram a ser presos durante a investigação, mas foram colocados em liberdade com tornozeleira eletrônica.
A tia da bebê procurou o Jornal Midiamax para pedir que o caso não seja esquecido. Segundo ela, a família questiona principalmente os hematomas encontrados no corpo da criança e afirma que ainda não recebeu respostas sobre a origem das lesões. “Queremos justiça. Ela apenas tinha três meses de vida, um ser indefeso. Hoje estive no túmulo dela”, disse a tia, que prefere não ser identificada.
De acordo com o relato da família, a bebê apresentava uma costela quebrada, além de inchaço e marcas roxas nos dois pés e na região das nádegas. A tia afirma que os hematomas eram visíveis e questiona se as lesões foram esclarecidas durante a investigação. “O laudo que saiu confirmou a morte dela por broncoaspiração. Mas aí que está: e os hematomas? Estavam nítidos; eram hematomas muito roxos”, afirmou.
Mesmo com a conclusão sobre a causa da morte, a tia da bebê continua questionando a origem das lesões encontradas no corpo da criança. “Minha irmã é a avó da neném. Quando abriram a investigação, chamaram somente ela para depor. Falaram que iam chamar o restante da família, mas até hoje a gente nunca foi chamado”, relatou a tia.
Segundo ela, familiares também teriam ouvido anteriormente versões diferentes sobre a relação entre a mãe da bebê e o pai da criança. A tia afirma que a família questionava os dois sobre a situação, mas que ambos diziam não saber de nada.
“Ela chegou até a contar umas versões para a gente, só que agora ela voltou com o pai da neném de novo. E a gente sempre questiona os dois ou pergunta, e eles falam que nunca sabem de nada”, afirmou.
Relembre o caso
A bebê deu entrada no Hospital Regional no dia 19 de junho, após um jogo de futebol. Segundo as informações registradas na época, a criança apresentava diversos hematomas pelo corpo, o que levantou a suspeita de que ela pudesse ter sido vítima de maus-tratos.
A Polícia Militar foi acionada no dia seguinte, 20 de junho. Os pais foram questionados sobre as marcas e, conforme o registro de ocorrência, admitiram que não haviam procurado atendimento médico para avaliar as lesões.
Durante a internação da bebê, os pais teriam relatado apenas que a filha havia passado mal depois de ser amamentada.
Diante da situação, os dois foram presos e tiveram a prisão preventiva decretada no dia 22 de junho. Em depoimento, os dois negaram ter agredido a criança. A mãe teria afirmado que não levou a filha ao médico porque acreditava que as marcas roxas eram normais.
A bebê entrou em protocolo de morte cerebral no dia 26 de junho. Posteriormente, o laudo apontou broncoaspiração como causa da morte, conforme a família.
Pais com tornozeleira
Segundo a tia, os pais da bebê foram liberados da prisão e atualmente utilizam tornozeleira eletrônica. Ela questiona o fato de os dois estarem em liberdade enquanto os familiares ainda aguardam esclarecimentos sobre os hematomas encontrados na criança.
“Eles estão vivendo livres, como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso, queremos justiça. Ela [a bebê] estava com uma costela quebrada, os dois pezinhos inchados e com hematomas roxos na bunda. Eram hematomas horríveis”, declarou.
A família afirma ainda que não foi procurada novamente pelas autoridades para prestar depoimentos e cobra que as lesões sejam esclarecidas dentro da investigação. O caso segue sob investigação. A causa da morte apontada no laudo é broncoaspiração, enquanto a origem dos hematomas relatados pela família é questionada pelos parentes da bebê.
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