O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), por unanimidade, negou o habeas corpus apresentado pela defesa do empresário Claudio Henrique de Arruda, acusado de envolvimento no assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande.
Vitor foi executado por engano durante uma emboscada na garagem de veículos da própria família, na tarde do dia 7 de agosto, na Rua Hayel Bon Faker, em Dourados. Os executores saíram de Ponta Porã sem conhecer pessoalmente o verdadeiro alvo.
O empresário foi preso preventivamente no dia 21 de agosto em Ponta Porã. Recentemente, a defesa entrou com um habeas corpus, pedindo a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares diversas.
Assim, o HC foi analisado, mas a Justiça entendeu que havia fundamentos concretos para manter a prisão, como: indícios de participação no assassinato, organização prévia da empreitada criminosa, risco de reiteração delitiva e a possibilidade de interferência na produção de provas.
“A decisão impugnada apresentou fundamentação concreta ao evidenciar a existência de organização prévia da empreitada criminosa, com divisão de tarefas, fornecimento de armamento, transporte dos envolvidos, obtenção de informações sobre o alvo e atuação atribuída ao paciente na atração da vítima ao local da execução”, diz trecho da decisão judicial.
Investigação identificou seis envolvidos
Segundo a Polícia Civil, seis pessoas participaram da ação criminosa. Entre elas, estão os dois executores que saíram de Ponta Porã em uma BMW: o atirador Denis Barbosa de Melo, natural de Brasília, e o piloto da motocicleta. Conforme a investigação, Denis não é pistoleiro profissional e estava na região há cerca de quatro meses, realizando transporte de drogas, tendo aceitado participar do crime para quitar uma dívida.
Também foi preso o empresário Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, proprietário de uma academia em Ponta Porã. Ele é apontado como responsável por manter contato com Vitor e marcar o encontro que resultou na emboscada. Na residência do suspeito, foram apreendidos dinheiro, joias e uma arma de fogo.
Outro envolvido é um adolescente de 17 anos, responsável por furtar a motocicleta utilizada na execução e conduzir os criminosos até a garagem, já que eles desconheciam Dourados. O menor está internado na Unei.
Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos, e Jeferson Lopes, de 31 anos, são apontados como os contratantes que levaram os executores até Dourados e que teriam ordenado que eles retornassem para “terminar o serviço” após descobrirem o erro na execução.
O veículo utilizado para transportar os atiradores, uma BMW recentemente vendida, foi localizado por meio de rastreamento, com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), e identificado circulando nas proximidades da garagem no horário do crime.
A origem da dívida de R$ 300 mil ainda é investigada. Há suspeita de relação com o tráfico de drogas, hipótese que ainda não foi confirmada pela Polícia Civil.
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