O deputado federal Dagoberto Nogueira (PP) afirmou que o Congresso Nacional foi surpreendido com o início da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. A tarifa entrou em vigor nesta quarta-feira (22).
“Fomos pegos de surpresa, e a Câmara está de recesso”, disse o parlamentar.
A decisão é resultado de investigação do USTR, que apontou “práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias” do Brasil. Etanol, Pix e desmatamento ilegal estão entre as motivações citadas pelo governo norte-americano.
Impacto em MS é considerado baixo
Em Mato Grosso do Sul, o efeito da sobretaxa é considerado limitado. Dados do Observatório da Indústria da Fiems apontam que apenas 2,77% dos itens exportados pelo Estado aos EUA serão taxados.
Entre janeiro e junho de 2026, MS vendeu 437,3 mil toneladas aos Estados Unidos, movimentando US$ 370,5 milhões, o equivalente a mais de R$ 1,8 bilhão.
Os três itens que sustentam a pauta de exportação de MS foram isentos: carne bovina desossada e congelada, ferro-gusa fundido bruto e celulose. Juntos, respondem por 96% das vendas ao mercado estadunidense.
A carne bovina representa 51,4% das exportações, seguida de ferro-gusa, com 20%, e celulose, com 16%. O ferro-gusa só entrou na lista de isenções na última atualização divulgada pelo governo dos EUA nesta quarta.
Sebo bovino lidera produtos taxados
O principal produto sul-mato-grossense atingido foi o sebo bovino fundido, usado na produção de biodiesel, sabões e ração. No primeiro semestre, foram 9.039 toneladas exportadas, totalizando US$ 9.805.261.
Outros itens também entraram na taxação, mas com participação pequena:
- Concentrados de proteínas: US$ 127.050, 38 toneladas;
- Maiôs e biquínis de malha femininos: US$ 101.438;
- Ovos de aves sem casca, secos: US$ 95.880, 120 toneladas;
- Outro álcool etílico não desnaturado: US$ 83.505, 100 toneladas;
- Colas e adesivos: US$ 18.978.
No total, produtos como sebo, biquínis e maiôs renderam a MS US$ 10.232.112, de janeiro a junho.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Estado. A China é a principal parceira, responsável pela compra de 1,8 milhão de toneladas, o que representa US$ 1,3 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano.
Neste período, as exportações totais do Estado acumulam movimentação de US$ 3,83 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano passado, o valor era de US$ 3,78 bilhões. Ou seja, as exportações do primeiro semestre de 2026 superam o registrado em 2025.
As exportações aos Estados Unidos também subiram neste período, apesar dos imbróglios na política internacional entre os dois países. Entre janeiro e junho de 2025, o comércio internacional com o país norte-americano movimentou US$ 3,2 milhões, ante US$ 3,7 milhões no mesmo período deste ano.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








