A defesa do ex-deputado Neno Razuk ainda aguarda acesso ao pedido de prisão dele, que é apontado como o líder do esquema do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A prisão foi determinada após Neno perder sua cadeira na Alems (Assembleia Legislativa de MS).
“Não sabemos nem o motivo da prisão”, afirmou o advogado Ricardo Pereira ao Jornal Midiamax. O pedido de acesso foi feito na quarta-feira (8), mas, até o momento, a defesa não teve permissão para acessar os autos.
O juiz que fez o pedido assinou o pedido de prisão e saiu de férias, e Pereira acredita que isso tem travado a demanda — que deverá ser encaminhada a um juiz substituto.
O advogado diz que está em contato com a família de Neno e que eles aguardam o parecer da defesa para definir os ‘rumos’ de Neno. “É uma decisão pessoal”, defende Pereira. A defesa estava no Gaeco nesta manhã.
Líder do jogo do bicho
Neno Razuk é apontado pelo Gaeco como o líder do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Ele perdeu o mandato de deputado estadual após julgamento da Justiça Eleitoral por fraudes em outras candidaturas do partido. Após a recontagem dos votos, Neno perdeu o mandato em 21 de maio.
A reportagem apurou que as equipes do Gaeco estiveram na residência de Neno na terça-feira (7) procurando pelo ex-deputado, mas não o encontraram. A informação foi confirmada pelo advogado: “Estiveram, sim, mas não sabemos por qual motivo”.
As informações são de que o pai de Neno, Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar, está com a saúde debilitada e estaria internado na UTI.
Os irmãos de Neno, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, estão presos. Além deles, o advogado Rhiad Abdulahad também está preso. Eles são acusados de integrarem a cúpula da organização criminosa que explorava o jogo do bicho.
Em dezembro do ano passado, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) condenou Neno a mais de 15 anos de prisão. Ao deputado, foram atribuídos os crimes de formação de organização criminosa armada, exploração de jogos do bicho e roubos. “Nenhum desses delitos têm a mais remota ligação com o exercício das atribuições constitucionais esperadas e exigíveis de um deputado estadual”, destacou o magistrado.
No entanto, Neno recorreu da decisão.
Família Razuk e mais 20 denunciados por jogo do bicho

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O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro.
De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.
A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.
“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e região”, aponta um trecho do documento.
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