Defesa aguarda acesso ao pedido de prisão para definir 'rumo' de Neno Razuk Pular para o conteúdo
Política

Defesa aguarda acesso ao pedido de prisão para definir ‘rumo’ de Neno Razuk

Pedido de prisão de Neno saiu nesta semana, mas advogado ainda não teve acesso ao processo liberado
Fábio Oruê -
neno deputado
Neno em reunião da CCJR, uma semana após operação que prendeu sua família. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

A defesa do ex-deputado Neno Razuk ainda aguarda acesso ao pedido de prisão dele, que é apontado como o líder do esquema do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A prisão foi determinada após Neno perder sua cadeira na Alems (Assembleia Legislativa de MS).

“Não sabemos nem o motivo da prisão”, afirmou o advogado Ricardo Pereira ao Jornal Midiamax. O pedido de acesso foi feito na quarta-feira (8), mas, até o momento, a defesa não teve permissão para acessar os autos.

O juiz que fez o pedido assinou o pedido de prisão e saiu de férias, e Pereira acredita que isso tem travado a demanda — que deverá ser encaminhada a um juiz substituto.

O advogado diz que está em contato com a família de Neno e que eles aguardam o parecer da defesa para definir os ‘rumos’ de Neno. “É uma decisão pessoal”, defende Pereira. A defesa estava no Gaeco nesta manhã.

Líder do jogo do bicho

Neno Razuk é apontado pelo Gaeco como o líder do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Ele perdeu o mandato de deputado estadual após julgamento da Justiça Eleitoral por fraudes em outras candidaturas do partido. Após a recontagem dos votos, Neno perdeu o mandato em 21 de maio.

A reportagem apurou que as equipes do Gaeco estiveram na residência de Neno na terça-feira (7) procurando pelo ex-deputado, mas não o encontraram. A informação foi confirmada pelo advogado: “Estiveram, sim, mas não sabemos por qual motivo”.

As informações são de que o pai de Neno, Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar, está com a saúde debilitada e estaria internado na UTI.

Os irmãos de Neno, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, estão presos. Além deles, o advogado Rhiad Abdulahad também está preso. Eles são acusados de integrarem a cúpula da organização criminosa que explorava o jogo do bicho.

Em dezembro do ano passado, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) condenou Neno a mais de 15 anos de prisão. Ao deputado, foram atribuídos os crimes de formação de organização criminosa armada, exploração de jogos do bicho e roubos. “Nenhum desses delitos têm a mais remota ligação com o exercício das atribuições constitucionais esperadas e exigíveis de um deputado estadual”, destacou o magistrado.

No entanto, Neno recorreu da decisão.

Família Razuk e mais 20 denunciados por jogo do bicho

Família Razuk é apontada pelo Gaeco como chefe do jogo do bicho. (Reprodução)

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O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.

A peça acusatória aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro.

De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.

A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.

“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e região”, aponta um trecho do documento.

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