Ex-secretário de duas pastas em Jaraguari, o vereador Renê Sérgio Lima de Moura, conhecido como Renê (PSDB), declarou que agora “quer ver em quem vão jogar a culpa” após ter saído da administração municipal. A declaração foi realizada durante sessão ordinária em 30 de junho, em que o tucano afirmou que não faz mais parte da base do prefeito Cláudio Ferreira, conhecido como Claudião (PL).
Renê retornou para a função de vereador há cerca de dois meses, após a exoneração do cargo de secretário municipal de Infraestrutura, Obras e Serviços. Anteriormente, o tucano esteve de licença após ter sido preso, acusado de agressão contra uma então namorada. Na época, ele ocupava o cargo de secretário de governo da Prefeitura de Jaraguari quando se afastou das atividades. O prefeito decidiu, na época, mantê-lo no cargo durante as investigações.
Contudo, a fala do vereador aponta para um distanciamento da relação entre ambos. Na sessão ordinária, Renê comentou que foi “falado aos quatro cantos” que “ele acabou” com o orçamento das pastas de obras e governo. Ao comentar o motivo de ter saído da base do prefeito, disse que em pouco mais de um ano em que esteve na prefeitura, a culpa de tudo seria dele. Além disso, o vereador disse que “não é mudo” e não tem medo de processos. “Acho que tenho 18, até perdi as contas”, pontuou.
“Eu não tô mais lá, vamos ver em quem ele vai colocar a culpa agora […] e vocês vão ver quem tava certo e quem estava errado. E a mesma coisa que tô falando agora relacionado a esse mandato, e olha que dentro daquele celular tem muita coisa, não me tira do sério”, avisou.
O tucano informou que irá investigar se foram pagas as emendas do suplente enquanto esteve afastado da Casa de Leis. “Gostaria também de estar falando aqui que vou entrar com pedido relacionado às emendas do ano passado, as quais não foram pagas, e se o vereador que estava no meu lugar aqui, Lucas Tonet, tiver emenda dele que não foi paga, eu vou entrar juridicamente no Ministério Público pedindo o porquê de não terem sido pagas, com a minha assessoria jurídica. Eu vou pedir isso o mais rápido possível”, declarou durante o Grande Expediente.
O que diz o prefeito?
O Midiamax acionou o prefeito de Jaraguari sobre as declarações do ex-secretário. Ele classificou as cobranças como “parte legítima da atividade parlamentar e do debate democrático”.
“Sobre as declarações do vereador recebo com o respeito que sempre pautou a relação entre os poderes Executivo e Legislativo. Renê é um parlamentar importante do município, realizou seu trabalho enquanto esteve à frente da Secretaria e suas cobranças são vistas como parte legítima da atividade parlamentar e do debate democrático.
A gestão continua focada em trabalhar por Jaraguari, mantendo as portas abertas ao diálogo com todos os vereadores para buscar sempre o melhor para a nossa população”, finaliza a nota.
Agressão
Renê foi preso em 29 de novembro de 2025 por agredir a namorada. Na época, ele ocupava o cargo de secretário de governo da Prefeitura de Jaraguari.
Conforme o registro policial, por volta das 3h10, a Polícia Militar foi acionada pelo filho da vítima. Ele relatou que a mulher estava sendo agredida pelo servidor, na região central da cidade. Pouco depois, a mãe de Renê também acionou a polícia, dizendo que a mulher teria invadido a casa e quebrado eletrodomésticos.
A vítima foi atendida pelos militares com uma lesão no olho e hematomas nos braços e nas pernas. Ela relatou que o casal estava na casa de um amigo e que teriam brigado após ciúmes de Renê. Segundo ela, o secretário teria iniciado xingamentos e ido embora, deixando-a no local. A mulher seguiu para a casa dele e abriu o portão eletrônico, pois tinha acesso à casa durante os nove anos de relacionamento.
Ela afirmou que, ao chegar, foi recebida com agressões e que teria quebrado eletrodomésticos após levar um soco. Ela também disse que Renê a segurou pelo pescoço e a prensou contra a parede.
A Procuradoria da Mulher emitiu uma nota sobre o caso, na época, em que afirmou que a “posição de autoridade jamais pode ser usada como instrumento de intimidação, abuso ou silenciamento”.
A primeira sessão na Câmara após a prisão foi marcada por silêncio por parte dos vereadores. O único discurso incisivo foi o da vereadora e procuradora da Mulher no Legislativo, Dani Martins (PP). Ela afirmou que não compactuaria com agressões, enquanto seus pares citaram impedimentos legais para uma ação imediata do parlamento.
Na época, Renê negou as agressões e relatou uma discussão após a namorada questionar o comportamento “diferente”. O prefeito de Jaraguari, Cláudio Ferreira, não o afastou das funções imediatamente. Renê apresentou, em 1º de dezembro, um atestado de 15 dias por problemas emocionais.
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(Revisão: Nichole Munaro)








