O deputado federal Vander Loubet (PT) avalia que ainda é cedo para dimensionar os impactos da crise política e bancária no Paraguai sobre os brasileiros que vivem no país e os chamados brasiguaios, que mantêm negócios do outro lado da fronteira.
Apesar da preocupação com os correntistas diretamente afetados pela quebra do Banco Ueno, o parlamentar acredita que a relação entre Brasil e Paraguai não deve sofrer abalos.
“Eu acredito que seja cedo para dizer. Precisamos aguardar para ver os desdobramentos dessa situação, para saber em que a quebra desse banco afeta os brasileiros que vivem no país ou mesmo os brasiguaios que têm negócios no Paraguai. Eu entendo que, fora essa questão das pessoas diretamente afetadas, a relação entre Brasil e Paraguai não deve sofrer impacto”, afirmou.
Para Vander, os laços econômicos e culturais devem prevalecer independentemente das mudanças no comando do governo paraguaio.
“Somos países com uma ligação econômica e cultural muito forte, então, independentemente das escolhas políticas que devem acontecer por lá, os países devem seguir parceiros”, acrescentou.
Crise leva à renúncia de Peña
A manifestação ocorre em meio à crise que culminou na renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5). O Congresso do Paraguai deve dar posse ao vice-presidente Pedro Alliana como novo chefe de Estado ainda hoje, às 18h, conforme anunciado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre. Na sequência, os parlamentares devem escolher o novo vice-presidente.
Antes da definição, a Câmara rejeitou um pedido de impeachment contra Alliana, abrindo caminho para que ele assuma o Executivo. Peña deixou o cargo em meio ao agravamento da crise política e bancária envolvendo o Banco Ueno, que passou a ser alvo de intervenção do Banco Central do Paraguai na terça-feira (3).
O ex-presidente era acusado de conivência com supostas irregularidades relacionadas ao banco, controlado por um grupo empresarial do qual já foi acionista. A crise também provocou questionamentos sobre a atuação das autoridades financeiras e levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
Quase 3 milhões sem acesso ao banco
A intervenção no Banco Ueno ocorreu após o Banco Central identificar que o índice de solvência da instituição estava abaixo do mínimo exigido. A medida deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso aos serviços bancários, em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes.
O episódio provocou filas nas agências, apreensão entre correntistas e manifestações nas ruas. O banco concentra depósitos estimados em US$ 850 milhões, incluindo recursos públicos e valores do Instituto de Seguridade Social.
Em pronunciamento nesta quinta-feira, Peña pediu desculpas aos paraguaios que perderam o acesso ao próprio dinheiro e afirmou que renunciou para preservar a estabilidade nacional.
O Banco Central classificou o caso como isolado e disse que a situação não representa um problema generalizado no sistema financeiro paraguaio, destacando que a proteção dos depositantes é prioridade.
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