O deputado estadual João Henrique Catan (PL) se despede da avó, Maria Antonina Cançado Soares, 18 dias após a morte do avô e ex-governador, Marcelo Miranda. “Nossa pedra fundamental”, definiu Catan sobre a avó, que faleceu no sábado (11) e será sepultada neste domingo (12).
Nesta manhã, o deputado publicou texto sensível sobre a partida dos avós. Nela, reviveu momentos que compartilhou com os dois. “Acabei de abrir a porteira da Fazenda Café e percebi que fecharam-se as portas da casa dos meus avós. Já não temos mais esse lugar para ir, apesar da edificação ainda existir. O vazio e a escuridão da casa parecem ser maiores”, começou nas redes.
O deputado disse que, apesar da partida, os avós “ainda estão aqui, do meu lado agora, como tudo o que eles ensinaram e construíram”. “Percebo pulsante dentro de mim o que eles construíram e ensinaram, pulsando, batendo e fluindo”, afirmou Catan.
Avó e ex-primeira-dama
Catan destacou que a avó cuidava dos netos, mas pontuou o trabalho de Maria Antonia como primeira-dama. “Ela foi mãe, primeira-dama, pecuarista e benfeitora do povo”, disse o deputado.
“Era impressionante o cuidado dela com os deficientes. Chegou a fundar uma escola de referência (Juliano Varela) e com os velhinhos do asilo, sempre levava roupa, comida e não podia faltar maçãs (ela falava que os velhinhos não iriam dar conta de comer outra fruta)”, contou Catan.
‘Pessoa que fez tudo o que quis’
O deputado estadual disse que a avó era lembrada pela forma como viveu. “Meu avô brincava que, quando ela fosse embora, ele iria escrever na lápide dela: aqui jaz uma pessoa que fez tudo o que quis”, disse.
“Realmente ela é nossa pedra fundamental e enfrentou com fé inabalável todas as provações, inclusive a doença”, afirmou Catan.
Além disso, pontuou que a avó “não quis perder para o câncer e ele não conseguiu vencer a velha”. “Ela foi de outra coisa, deixando-o combalido, estagnado, inapto e vencido pela persistência de quem nasceu para lutar e vencer”, afirmou Catan.
Confira o texto do deputado na íntegra:
“Acabei de abrir a porteira da Fazenda Café e percebi que fecharam-se as portas da casa dos meus avós. Já não temos mais esse lugar para ir, apesar da edificação ainda existir. O vazio e a escuridão da casa parecem ser maiores.
Deitado aqui na cama deles, parei para escrever um pouquinho. Comecei a encontrar luz, olhei para o canto e vi o tanto de terços que eles deixaram pendurados na cama. Ainda estão aqui, do meu lado agora, como tudo o que eles ensinaram e construíram.
A capela de São José, de quem ela era devota, cheia das medalhas de São Bento, algo que ela distribuía a torto e a direito a quem ela queria bem, principalmente se ganhasse um carro novo. Se vivesse na estrada igual eu, ela era capaz de entrar dentro para ver se estava lá mesmo.
Percebo pulsante dentro de mim o que eles construíram e ensinaram, pulsando, batendo e fluindo.
Minha avó bem que tentava ser só avó dos netos, mas nem sempre aguentava. Ela foi mãe, primeira-dama, pecuarista e benfeitora do povo.
Era impressionante o cuidado dela com os deficientes. Chegou a fundar uma escola de referência (Juliano Varela) e com os velhinhos do asilo, sempre levava roupa, comida e não podia faltar maçãs (ela falava que os velhinhos não iriam dar conta de comer outra fruta).
Na verdade, eu acho que ela tinha medo de ficar abandonada ou sozinha. Por isso, nós em casa reforçamos cada minuto ao lado dela. Não a deixamos nenhum minuto, até que as cortinas se fechassem com estilo. Era o que ela mais tinha, de sobra.
Eu fui muito feliz de ter dado os bisnetos deles. Sempre tentei retribuir e agradecer-lhes pelo que fizeram por mim. Via no sorriso deles que este convívio da Bibi e do Biso vai ficar na minha memória como o melhor presente que pude dar para eles.
Meu avô brincava que, quando ela fosse embora, ele iria escrever na lápide dela: aqui jaz uma pessoa que fez tudo o que quis.
Realmente ela é nossa pedra fundamental e enfrentou com fé inabalável todas as provações, inclusive a doença. Não quis perder para o câncer e ele não conseguiu vencer a velha. Ela foi de outra coisa, deixando-o combalido, estagnado, inapto e vencido pela persistência de quem nasceu para lutar e vencer.
Essa habilidade e mineirice de quem nasceu às margens do córrego Três Barras, na Fazenda Prata, em Paranaíba, mas que herdou isso dos meus bisavós, a deixou mal-acostumada a achar que sempre as coisas aconteceriam do jeito que ela queria. Ai de nós se não fosse do jeito dela. Talvez seja por isso que meu avô, engenheiro, mais acostumado a obedecer à Dona Mariita, é que foi surpreendê-la, indo primeiro para que pudesse receber a primeira-dama do estado e que a regra matemática dele fosse cumprida, diferente da percepção dela. Assim, a gente se despedindo primeiro do RG 01 e, dezoito dias depois, do RG 02!
Tchau, Vovó e Vovô!”
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(Revisão: Nichole Munaro)







