O prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), aumentou em quase R$ 120 mil o contrato com a Bergamo Construtora Ltda. – EPP, responsável pela obra do Hospital Municipal de Terenos. Avaliada em R$ 5,8 milhões, a unidade de saúde deveria ter sido entregue no fim de 2024 e se arrasta pela gestão de Budke, investigada por desvios em contratos de obras e serviços.
A medida foi publicada no Diário Oficial da Assomasul (Associação de Municípios de Mato Grosso do Sul) desta sexta-feira (10).
O reajuste contratual acrescenta o valor de R$ 119.260,19 à obra da Unidade de Saúde de Urgência e Emergência, aumentando em 40% o investimento inicial de R$ 4.159.723,94 para R$ 5.831.243,52. A diferença para os cofres municipais chega a R$ 1.671.519,58.

O hospital, que deveria ter sido entregue no fim de 2024, terá 12 leitos adultos e pediátricos e poderá realizar pequenas cirurgias, que hoje precisam ser feitas em Campo Grande. A nova unidade de saúde terá atendimento de urgência e emergência 24 horas e contará também com ambulatórios, laboratório e farmácia.
Decisão do STJ devolveu Terenos a prefeito investigado
Henrique voltou ao comando da Prefeitura de Terenos no fim de junho, após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) reverter o afastamento em razão da Operação Spotless, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) em setembro de 2025.
Na ação, Henrique foi preso e indiciado por liderar esquema de corrupção que desviou milhões de reais em contratos de obras no município. O escândalo também atingiu empreiteiros e um vereador, Arnaldo Glagau (PSD).
Durante o afastamento, Henrique foi substituído pelo vice-prefeito, Dr. Arlindo (Republicanos). De volta ao paço municipal, o tucano segue sendo monitorado por tornozeleira e impedido de manter contato com investigados e firmar contratos com empresas ligadas à operação.
A Operação Spotless foi um desdobramento de ação um ano antes, a Operação Velatus, que levou em 2024 o ex-secretário de obras Isaac Cardoso Bisneto para a cadeia.
Mesmo afastado, Henrique continuou recebendo salário de R$ 24 mil ao longo de quase 10 meses sem trabalhar.
O que diz a Prefeitura?
A reportagem acionou a Prefeitura de Terenos sobre o aumento de gastos com a obra. Em nota, o Executivo informou que houve atualização nos custos dos materiais. Confira o posicionamento:
A Prefeitura de Terenos esclarece que o aditivo realizado no contrato da obra do Hospital Municipal refere-se exclusivamente ao reajuste dos valores contratuais, conforme previsto na legislação e nas cláusulas do contrato.
Durante o período em que a obra está sendo realizada, houve atualização dos custos de materiais, insumos e serviços da construção civil. Por esse motivo, foi necessária a adequação dos valores com base nas tabelas oficiais de referência utilizadas pelo poder público, seguindo os índices e parâmetros praticados no mercado.
É importante destacar que esse procedimento é legal, previsto para contratos de longa duração e tem como objetivo garantir a continuidade da obra, preservando o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Informamos ainda, que a obra do Hospital Municipal ainda não foi concluída porque, durante sua execução, foi necessária a realização de adequações no projeto original.
O projeto utilizado é um modelo padrão, que precisou ser adaptado às necessidades e à realidade do nosso município. Essas adequações são fundamentais para garantir que a estrutura atenda às normas técnicas, ofereça mais funcionalidade e esteja preparada para prestar um atendimento de qualidade à população, finaliza a nota.
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(Revisão: Nichole Munaro)







