Após reunião no DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena) na tarde desta terça-feira (30), o deputado Vander Loubet (PT) vai levar as demandas dos indígenas até Brasília para serem discutidas com o Governo Federal.
“Falei com o ministro [dos Povos Indígenas] Eloy, falei com a Lucinha, a secretária nacional da saúde indígena. Marquei com ela amanhã uma conversa às 11 da manhã. Estou indo para Brasília para levar as reivindicações deles, que são desde as melhorias como também a construção da tentativa de um nome que atenda a todas as etnias e, principalmente, atenda às reivindicações deles”, afirma Vander.
Grupo de cerca de 80 indígenas de diferentes regiões do Estado ocupa o DSEI-MS. “Acho que as reivindicações são justas; nós temos que tentar buscar um entendimento nesse sentido. E eu saio daqui com essa missão de conversar com a secretária nacional e também com o Eloy para a gente encontrar uma saída que atenda os dois lados”, diz.
Troca de gestão
O protesto cobra a substituição da atual gestão do órgão, alvo de críticas recorrentes de lideranças indígenas e de denúncias recentes envolvendo trabalhadores da saúde. Segundo Vander, o atual gestor não sai, mas a proposta é que um nome em consenso seja encontrado.
Segundo o cacique Célio, da aldeia Bananal, em Aquidauana, os manifestantes vão permanecer no local até que se tenha um encaminhamento para as demandas.
“Estamos abertos ao diálogo. O que nós queremos é um novo gestor que ouça as comunidades, que vá à base e crie projetos para atender às necessidades lá na base. Acredito que haverá um encaminhamento positivo que vai atender à necessidade de todo o povo indígena do sul, não de um grupo ou de outro, mas de todo o povo indígena do sul”, diz.
Tentativa de desocupação

Durante a ocupação, agentes da Polícia Federal foram acionados após denúncias de que havia reféns no prédio. Cerca de nove policiais fortemente armados chegaram ao local em viaturas com sirenes ligadas e solicitaram a desocupação do prédio.
Em conversa com as lideranças, o delegado Marcos Damato afirmou que a manifestação poderia continuar, desde que ocorresse do lado de fora da unidade.
“Vocês estão reivindicando? Então vamos reivindicar do lado de fora. Vamos abrir o portão. Vamos trazer a Polícia Federal inteira aqui. A imprensa já registrou os protestos. Agora vocês precisam formar uma comissão e conversar com o governo”, disse.
Ao afirmar que poderia “chamar toda a Polícia Federal”, uma indígena questionou se deveria interpretar a declaração como uma ameaça. O que os policiais negaram.
Ainda durante a negociação, o delegado utilizou o termo “índios” para se referir aos manifestantes, sendo imediatamente corrigido pelas lideranças. Na sequência, pediu desculpas pela expressão.
“Nossa saúde está parada. Tem parentes morrendo por falta de água e de medicamentos. Queremos o secretário da Sesai e o ministro da Saúde aqui. É com diálogo que vamos resolver”, responderam.
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