Marcio de Souza, servidor da Prefeitura de Porto Murtinho, foi preso com uma arma durante a Operação Gutenberg, nesta terça-feira (7), que apura esquema que desviou R$ 27 milhões em recursos públicos em Mato Grosso do Sul.
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, Marcio foi alvo de busca e apreensão, mas a equipe do Gaeco encontrou uma arma calibre .22 na residência, que seria do pai do servidor. Entretanto, ele já teria pago a fiança e sido liberado.
Souza estaria atuando como gerente administrativo de Transportes na Secretaria de Educação de Porto Murtinho, mas, na época investigada, ele estaria lotado no setor de licitação. A reportagem acionou o prefeito Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho; contudo, até esta publicação, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Confira os alvos confirmados até o momento:
- Rossana Paroschi Jafar, empresária;
- Olívia Jafar, médica e filha de Rossana;
- Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;
- Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;
- Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo;
- Francisco Anizio dos Santos;
- Matheus Oliveira Peixoto;
- Joatan Gomes Peixoto;
- Paulo Rogério de Melo.
Em Caarapó, o alvo de busca seria a casa de José Roberto Cardoso, o Mabel, que foi ex-chefe de gabinete do ex-prefeito André Nezzi (PSDB). Ao Jornal Midiamax, o ex-chefe do Executivo municipal afirmou que ele ficou entre 2019 e 2020 no gabinete.
“Não sei se de fato ele foi alvo. Ninguém divulgou nomes. E não tivemos aquisição de cartilha em 2021 nem antes”, afirma. Nezzi assumiu em 2017, até 2020, quando foi reeleito por mais quatro anos.
Desvios de R$ 27 milhões
O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.
As investigações revelaram que o grupo usava a liberação para exames e internações como moeda de troca para forçar gestores a comprarem livros. O esquema desviou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.
A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.
Governo de MS se manifestou sobre servidores
O Governo de Mato Grosso do Sul emitiu nota informando que irá afastar ou exonerar servidores envolvidos na Operação Gutenberg. O Governo afirmou que instaurou auditorias para apurar os procedimentos suspeitos de fraude.
As investigações apontaram que o esquema atuava na regulação estadual de saúde, em que usava a liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros didáticos.
O coordenador da regulação — o Core —, Ed Carlos Britto Burgatt, está entre os presos. Ele é concursado como auditor de serviços de saúde e deverá ser afastado durante os procedimentos no Governo.
O ex-prefeito de Fátima do Sul Júnior Vasconcelos é escrivão concursado da Polícia Civil e deverá ser afastado também. Já Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul, deverá ser exonerado.
Ex-prefeito preso
Júnior Vasconcelos foi prefeito de Fátima do Sul entre 2013 e 2016, mas mora atualmente em Campo Grande, onde atua como assessor parlamentar na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), no gabinete do deputado Jamilson Name (PP). Ele é concursado na Polícia Civil para o cargo de escrivão.
O parlamentar emitiu nota à imprensa esclarecendo não ter relação alguma com a Operação Gutenberg. Conforme o texto, Júnior Vasconcelos não atua como chefe de gabinete. Ele é escrivão e está cedido para atuar no gabinete do deputado para exercer funções administrativas.
Na nota, Jamilson Name também afirmou prestar respeito às instituições e entende que as investigações devem ocorrer com responsabilidade e observando o devido processo legal.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









