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Advogados estão entre presos de operação que apura desvio de R$ 27 milhões em MS

Profissionais seguem para o Presídio Militar, em Campo Grande
Fábio Oruê, Aline Machado, Renata Portela -
Operação Gutenberg. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

O advogado Gabriel Taquino de Paula está entre os 16 presos na Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), deflagrada nesta terça-feira (7), contra esquema que teria desviado R$ 27 milhões de recursos públicos em Mato Grosso do Sul.

Gabriel, que é especialista em Direito Público, foi encaminhado para o Presídio Militar em Campo Grande. Além disso, outro advogado teria sido preso, mas sua identidade não foi confirmada.

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, , São Gabriel do Oeste, , Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul) afirmou, em nota, que a Comissão de Defesa e Assistência acompanhou as diligências do Gaeco.

“Informa ainda que adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando sempre o direito à ampla defesa e contraditório”, diz.

Confira os alvos confirmados até o momento:

  • Rossana Paroschi Jafar, empresária;
  • Olívia Jafar, médica e filha de Rossana;
  • Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul e filho de Rossana;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de e assessor parlamentar;
  • Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;
  • Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo;
  • Francisco Anizio dos Santos;
  • Matheus Oliveira Peixoto;
  • Joatan Gomes Peixoto;
  • Paulo Rogério de Melo, empresário;
  • Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo;
  • Gabriel Taquino de Paula.

Desvios de R$ 27 milhões

O Gaeco deflagrou a operação para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.

As investigações revelaram que o grupo usava a liberação para exames e internações como moeda de troca para forçar gestores a comprarem livros. O esquema desviou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.

A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.

O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.

Governo de MS se manifestou sobre servidores

O Governo de Mato Grosso do Sul emitiu nota informando que irá afastar ou exonerar servidores envolvidos na Operação Gutenberg. O Governo afirmou que instaurou auditorias para apurar os procedimentos suspeitos de fraude.

As investigações apontaram que o esquema atuava na regulação estadual de saúde, em que usava a liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros didáticos.

O coordenador da regulação — o Core —, Ed Carlos Britto Burgatt, está entre os presos. Ele é concursado como auditor de serviços de saúde e deverá ser afastado durante os procedimentos no Governo.

O ex-prefeito de Fátima do Sul Júnior Vasconcelos é escrivão concursado da Polícia Civil e deverá ser afastado também. Já Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul, deverá ser exonerado.

Ex-prefeito preso

Júnior Vasconcelos foi prefeito de Fátima do Sul entre 2013 e 2016, mas mora atualmente em Campo Grande, onde atua como assessor parlamentar na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), no gabinete do deputado Jamilson Name (PP). Ele é concursado na Polícia Civil para o cargo de escrivão.

O parlamentar emitiu nota à imprensa esclarecendo não ter relação alguma com a Operação Gutenberg. Conforme o texto, Júnior Vasconcelos não atua como chefe de gabinete. Ele é escrivão e está cedido para atuar no gabinete do deputado para exercer funções administrativas.

Na nota, Jamilson Name também afirmou prestar respeito às instituições e entende que as investigações devem ocorrer com responsabilidade e observando o devido processo legal.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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