“Next station, Nova Bahia”. Já imaginou como Campo Grande seria se tivesse estações de metrô? Com o auxílio da IA (inteligência artificial), o arquiteto e urbanista Pedro Morgado criou um projeto utópico sobre a ampliação da mobilidade urbana da capital sul-mato-grossense.
Vale lembrar que a cidade conta com apenas um meio de transporte público urbano: os ônibus do Consórcio Guaicurus. Inclusive, as principais críticas ao serviço atual envolvem atrasos frequentes, frota defasada e um rombo financeiro bilionário na gestão. A situação gera, há décadas, desgaste político e levou, recentemente, a uma intervenção da Prefeitura.
No entanto, o projeto sonha alto e cria estações fictícias nos principais bairros, como Nova Bahia, Tiradentes, Nova Lima e até uma baldeação no Parque das Nações Indígenas. As imagens utilizam cenários reais captados pelo Google Maps e inserem as estações.
Até baldeação
O profissional, formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), de Presidente Prudente, conta que é um entusiasta da mobilidade urbana sobre trilhos. Antes de publicar as imagens, ele estudou o mapa da cidade, os principais pontos turísticos e a densidade populacional.
“Deixo bem claro que é um projeto fictício, sem qualquer vínculo político ou governamental, e impossível de acontecer. Precisaria de anos, no mínimo uns 40 anos, que foi o que durou para a construção do metrô de São Paulo ou em cidades menores, como Belo Horizonte”, explica.
“Infelizmente, para o nível do Brasil, Campo Grande, com 900 mil habitantes, não comporta um metrô. Campinas, que fica ao lado de São Paulo, também não comporta. É uma realidade muito distante. Mas deixo nos meus projetos uma ideia próxima da realidade, não da brasileira, mas comparada à de outras cidades da Europa, por exemplo, onde cidades com 600 mil habitantes têm.”

Estação a cada 45 mil habitantes
Morgado calcula uma média de 45 mil habitantes por estação na Capital, o que resultou na criação de 20 estações, de ponta a ponta da área urbana.
“É um sonho, mas também não fujo totalmente da realidade. Não vou fazer estações lindas, envidraçadas. Eu trago a realidade do Brasil, parecidas com as de São Paulo e do Rio de Janeiro, em concreto simples. A IA, hoje em dia, deixa a imagem bem real. A ideia é pensar como seria. Não seria linda, seria um pouco depredada e degradada.”
Apesar de ser um projeto ilusório, os mapas fazem ligações inteligentes que iriam destravar muitas das reclamações dos usuários do transporte público campo-grandense, como um trecho rápido saindo do bairro São Conrado, na região da Lagoa, até o Tiradentes, na região Bandeira.
Seriam três linhas imaginárias:
- Linha A – Circular: com a cor rosa, a Linha A é, sem dúvidas, o maior destaque do sistema. Por ser uma linha circular, ela abrangeria toda a zona periférica da cidade e passaria por bairros extremamente importantes. Todo o circuito completo seria realizado em aproximadamente 52 minutos, garantindo agilidade no dia a dia.
- Linhas B e C: cruzam a cidade de ponta a ponta, cortando pontos altamente estratégicos e áreas mais centralizadas. Com essa configuração, conseguiriam dinamizar o atendimento em todas as regiões, garantindo que o transporte público chegasse às demandas de forma igualitária e eficiente.
Outra ambição do projeto seria contemplar uma das áreas mais nobres e dinâmicas da cidade. Situada nos arredores do parque e ao longo da Avenida Rio Negro, ela chegaria para transformar o transporte na região, atendendo diretamente os bairros Vila Margarida, Mata do Jacinto e Carandá Bosque.
Campo-grandenses sonhando
Outro objetivo do profissional é receber o feedback dos moradores sobre a ideia. Os campo-grandenses gostaram da proposta; no entanto, estão perfeitamente cientes de que o projeto é impossível.
“Acho muito bacana a ideia e muito boa. As perspectivas estão muito bem feitas. As perspectivas ajudam a reproduzir os problemas recorrentes em estações de embarque e desembarque no Brasil, com infiltrações pelas paredes e pisos descolando. Isso já demonstra os riscos de uma concessionária ruim prestando serviços de baixa qualidade”, escreveu um.
“Ninguém vivo hoje verá uma obra dessa. Não conseguem fazer um viaduto na rotatória da Coca-Cola, imagina um metrô”, ironizou outro. “Essa obra é para nossos bisnetos?”, brincou mais um.
Confira:





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(Revisão: Dáfini Lisboa)









