Pular para o conteúdo
Transparência

‘Deste mundo nada levamos’, diz ex-presidente da Santa Casa acusada de desvios milionários

Alir Terra foi presa em 11 de setembro e deixou o cargo quatro dias depois
Adriel Mattos -
alir_terra_5
Presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra. (Foto: Arquivo, Jornal Midiamax)

A presidente do hospital Santa Casa de Misericórdia de , Alir Terra Lima, renunciou na semana passada ao cargo. Nesta quarta-feira (23), foi apresentado ao público o nome do sucessor, o ex-presidente Heitor Freire.

Alir assinou a carta de renúncia no dia 15 de setembro, quatro dias após ser presa em operação contra um esquema de corrupção no maior centro médico de Mato Grosso do Sul. A saída dela provocou uma dança das cadeiras até o conselho administrativo escolher um novo presidente.

No documento, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso em primeira mão, a ex-presidente justificou que era melhor permitir uma gestão plena, por conta da prisão dela.

Ela também abriu mão do cargo de conselheira, mas esclareceu que continua associada ao hospital. Alir citou uma frase sem identificar a autoria ao encerrar a carta: “Que o doente, na Santa Casa, jamais seja visto como objeto de lucro”.

Leia a carta de renúncia na íntegra:

“15.09.2026

CARTA DE RENÚNCIA

Eu, Alir Terra Lima, brasileira, divorciada pela lei civil e solteira pela Igreja Católica Apostólica Romana, portadora do RG [dado protegido em respeito à LGPD] e OAB/MS 3046, residente na [dado protegido em respeito à LGPD], venho apresentar minha renúncia ao cargo de Presidente da Santa Casa de Campo Grande, no triênio 26/28, por recondução, e ao cargo de conselheira, em caráter irrevogável e irretratável, motivo abaixo e com as observações a seguir desta renúncia:

1. A Santa Casa é uma instituição filantrópica que salva vidas e necessita continuar com gestão plena e sem entraves burocráticos, pois a doença não espera, decisões firmes devem ser tomadas.

2. A instituição centenária, que salva vidas, deve continuar com suas negociações e ações junto ao Ministério da Saúde, e para isto precisa estar com uma gestão plena em todos os sentidos.

3. O afastamento da minha pessoa em caráter definitivo possibilitará decisões na gestão ao entendimento do novo Presidente com a Diretoria Corporativa, Administrativa e Conselho Administrativo.

4. São 40 anos de serviço prestados à sociedade, onde eu também passo; deste mundo nada levamos. Cumpri minha missão e cada um foi testemunha da minha dedicação. Continuo associada.

‘Que o doente, na Santa Casa, jamais seja visto como objeto de lucro’.”

Santa Casa escolhe novo presidente após renúncia de Alir Terra

Em 23 de setembro de 2026, a Santa Casa de Campo Grande apresentou Heitor Freire como novo presidente. Ele antecedeu Alir Terra, presa por suspeita de corrupção e que renunciou ao cargo.

Heitor Freire afirmou que recebeu a notícia sobre as prisões e a operação com surpresa. Apesar do impacto causado pela operação, Freire acredita que a instituição precisa concentrar esforços na superação do momento atual.

“Com todas as dificuldades que nós já passamos na Santa Casa, uma situação como essa nunca aconteceu. Mas nós temos fé, confiança, força e vamos resolver”, disse.

Logo após a prisão de Alir, o vice-presidente Heitor Scheibeler assumiu o comando. Ele renunciou nesta semana, e o diretor-secretário Ivan Araújo Brandão tornou-se presidente interino. Por fim, o conselheiro reconduziu Freire à presidência.

A nova gestão chega à Santa Casa com Heitor Freire indicado para a presidência e Luiz Alberto Hiroki Kanamura à frente da superintendência hospitalar. A proposta apresentada pelos novos dirigentes é reorganizar a instituição, fortalecer a transparência, recuperar a credibilidade e redefinir a relação com o Poder Público.

Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande

Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os alvos foram:

  • Alir Terra Lima, ex-presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
  • Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro do hospital;
  • Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo do hospital;
  • Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
  • Maurício Aparecido Benites, empresário.

As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.

O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde, com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.

Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.

Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral do Estado de MS).

O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.

A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de MS).

Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.

Sabe de algo que o público precisa saber? Fala pro Midiamax!

Se você está por dentro de alguma informação que acha importante o público saber, fale com jornalistas do Jornal Midiamax!

E você pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.

Fala Povo: O leitor pode falar direto no WhatsApp do Jornal Midiamax pelo número (67) 99207-4330. O canal de comunicação serve para os leitores falarem com os jornalistas. Se preferir, você também pode falar com o Jornal direto no Messenger do Facebook.

(Revisão: Dáfini Lisboa)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
‘Momento doloroso: viúva de Rick quebra silêncio após família não abrir velório ao público

‘Momento doloroso: viúva de Rick quebra silêncio após família não abrir velório ao público

Acidente entre motocicletas deixa duas pessoas feridas no bairro Santo Antônio

Acidente entre motocicletas deixa duas pessoas feridas no bairro Santo Antônio

Polícia investiga se quadros encontrados abandonados na capital têm relação com oficina de desmanche

Polícia investiga se quadros encontrados abandonados na capital têm relação com oficina de desmanche

Preço da comida e da luz vai subir? Entenda como o clima extremo encarece o custo de vida em MS

Número de sindicalizados cai pela metade em MS enquanto cooperativas voltam a crescer

Notícias mais lidas agora

Prefeitura cita risco de desvio e quer barrar sócios do Consórcio de acessar R$ 52 milhões

Má gestão no Consórcio Guaicurus: empresários deixaram dívida de R$ 57,5 milhões

alir_terra_5

‘Deste mundo nada levamos’, diz ex-presidente da Santa Casa acusada de desvios milionários

Canetas emagrecedoras transformam consumo e abrem novas discussões para empresas

Canetas emagrecedoras transformam consumo e abrem novas discussões para empresas

Motorista é preso com 181 kg de entorpecentes durante abordagem em Rio Negro

Motorista é preso com 181 kg de entorpecentes durante abordagem em Rio Negro

Últimas Notícias

Política

Improcedente: MS não universalizou educação integral como afirmado por Riedel no Debate Midiamax

Checagem do Jornal Midiamax considerou improcedente contestação de Riedel

Brasil

STJ nega liberdade para Milton Leite, suspeito de ligação com empresas de ônibus do PCC

O pedido de habeas não foi protocolado pela defesa do ex-vereador

Cotidiano

Governo Federal cria página com informações e ações de enfrentamento ao El Niño

Plataforma reúne previsões, alertas e orientações para a população, estados e municípios diante dos possíveis impactos do fenômeno climático

Cotidiano

Agetran divulga multas e autuações registradas em setembro na Capital

Os proprietários dos veículos terão o prazo de 30 dias para apresentar defesa da autuação ou informar o condutor responsável pela infração