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Dona de brechó investigada por desvios de R$ 27 milhões diz ser inocente e defesa tenta liberdade

Rhayane Souza Fanaia é apontada como laranja de Rossana Jafar e responsável por fazer as transferências bancárias para o grupo
Fábio Oruê -
Dona de brechó investigada por desvios de R$ 27 milhões diz ser inocente e defesa tenta liberdade
Rhayane é apontada como laranja de Rossana Jafar (Reprodução, Redes sociais)

A dona de brechó, apontada como laranja de esquema que desviou R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul, Rhayane Souza Fanaia, diz ser inocente, após ser presa na Operação Gutenberg, deflagrada na semana passada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Em nota, a defesa de Fanaia, feita pela advogada Vitória Xavier Barbosa, diz que Rhayane reafirma a e garante que isso será demonstrado ao longo do processo. Ela, que é ex-mulher de Giovanni Paroschi Jafar, é registrada como dona da Editora Avante, que fez contratos milionários com prefeituras de MS.

Como então nora de Rossana Paroschi Jafar — apontada como principal operadora do esquema —, Rhayane seria responsável por fazer as transferências dos valores divididos entre os participantes, conforme demonstrado pela quebra do sigilo bancário na investigação.

A defesa também já entrou com pedido de liberdade de Rhayane, que foi presa em Abadiânia (GO). “Já entramos com pedido de liberdade, que está aguardando julgamento, e seguiremos buscando, por todas as vias cabíveis, uma vez que a prisão dela é completamente descabida”, afirma ao Jornal Midiamax.

Rhayane foi casada com Giovanni Jafar. (Reprodução, Redes Sociais)

‘Balcão de negócios’

Grupo criminoso acusado de desviar R$ 27 milhões em recursos públicos utilizava-se da estrutura da saúde pública para forçar a venda de livros em Mato Grosso do Sul. Os envolvidos foram alvo da Operação Gutenberg.

Conforme o Gaeco, empresários cooptavam servidores por meio do pagamento de propina para condicionar a liberação de serviços de saúde, como a realização de exames médicos e até a disponibilização de leitos em hospitais, para obrigar gestores locais a comprarem o material impresso das empresas do grupo.

Para os investigadores, o modus operandi era um verdadeiro “balcão de negócios” na estrutura da saúde, em que os integrantes do grupo usavam a liberação de exames como ‘moeda de troca’. O objetivo do esquema era obrigar o Poder Público a adquirir esses livros impressos.

Devido a essa forma de atuação, o Gaeco cumpriu mandados em diversos endereços, inclusive no Core (Complexo Regulador Estadual), onde as equipes apreenderam malotes.

Caminho do dinheiro

As investigações do Gaeco mostraram que o dinheiro que caía na conta da editora como pagamento das prefeituras era escoado para os demais integrantes do grupo criminoso.

Rhayane obedecia às ordens do clã Jafar — apontado como o líder do esquema de corrupção, tendo como membros a matriarca Rossana Jafar e os filhos, Olívia e Pedro, que estão presos, e Giovanni, ex-marido de Rhayane.

Os saques seriam realizados por Rhayane e distribuídos aos demais membros da organização criminosa a mando do clã Jafar, como destaca trecho do relatório de investigação do Gaeco.

Reportagem do Jornal Midiamax revelou detalhes de como Rhayane, uma estudante, dona de brechó, virou ‘laranja’ da sogra para ficar com cerca de 1% do lucro do esquema de corrupção.

Família Jafar: (da esquerda para a direita) Giovanni, Olívia, Rossana e Felipe (Reprodução, redes sociais)

Clã Jafar comandava esquema

O relatório de investigação do Gaeco aponta que, após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção.

A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica. Quebra de sigilo fiscal apontou que o clã recebia diversas transferências em sua conta pessoal da Editora Avante, que firmava contratos com os municípios.

Para o Gaeco, a matriarca da família, Rossana, era a verdadeira cabeça por trás do esquema e da Editora Avante — que levava o nome da então esposa de Giovanni, Rhayne Fanaia.

Durante o cumprimento dos mandados, Rossana foi flagrada com munições intactas e também responde pelo crime de posse de arma de fogo. Foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques durante toda a ação.

Operação Gutenberg

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.

Confira a lista atualizada de presos na operação:

  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul;
  • Giovanni Paroschi Jafar – empresário;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.

Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva — que seria de Rhayane — e 1 mandado de busca e apreensão.

A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.

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