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Esquema de exames ‘fantasmas’ em MS usava nomes de falecidos e assinaturas de bebês para lucrar

Investigação revelou que, entre 2021 e 2024, a Prefeitura de Nioaque pagou milhões para a clínica por exames superfaturados
Fábio Oruê -
Esquema de exames ‘fantasmas’ em MS usava nomes de falecidos e assinaturas de bebês para lucrar
Antiga Prontomed. (Reprodução, Maps)

O esquema de fraudes em exames descortinado pela Operação Auditus II na semana passada, além de cobrar por testes em bebês que nunca nasceram, usava nomes de pessoas já falecidas para falsificar documentos e lucrar com verbas públicas.

Na segunda fase da operação, cinco pessoas foram presas, entre elas, Márcia Jara, ex-secretária de Saúde de Nioaque. Dois empresários, Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar — donos da Prontomed — e a gerente Tatiana Barbosa de Souza Grubert também foram presos.

Vagner Alves Ribeiro Guimarães, ex-secretário de Governo do Município, também foi alvo de mandado de prisão na operação.

Listas com nomes de mortos

Conforme a investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), o núcleo criminoso no Prontomed criava listas com a relação de consultas, exames e procedimentos médicos, que, em sua maioria, nunca foram feitos.

Para isso, eles fraudaram documentos que enviavam para a prefeitura com:

  • Falsificação de assinaturas de supostos pacientes e de profissionais de saúde;
  • Inserção de registros duplicados;
  • Utilização de nomes de pessoas falecidas;
  • Inclusão de nomes de pacientes em procedimentos que não eram compatíveis com a faixa etária;
  • Lançamento de procedimentos sem qualquer respaldo clínico.

A então secretária de Saúde, Márcia Jara, recebia esses documentos, com fraudes definidas pelos investigadores como “grosseiras”. Segundo a investigação, Jara “ignorava deliberadamente a presença massiva de documentos ideologicamente falsos”.

Em seguida, ela autorizava o pagamento integral dos serviços fictícios de acordo com as listas fraudulentas, “sem qualquer conferência, controle administrativo ou validação mínima da efetiva realização dos serviços declarados”.

Bebês ‘assinavam’ documentos

A investigação também relata os casos de fraudes “grosseiras”. Conforme os documentos obtidos, dois pacientes — um bebê de 11 meses e uma criança de 3 anos — assinaram a lista de atendimento médico.

Em outra ocasião, a empresa enviou um procedimento de colocação de DIU (Dispositivo Intrauterino) em mulheres de 53 e 57 anos. Entretanto, recomenda-se suspender esse método contraceptivo nesta faixa etária.

O Gecoc também encontrou documentos em que consta que duas pessoas consultaram um angiologista. Porém, os pacientes já tinham falecido na data da suposta ida ao médico.

Queda de valor após troca de prefeitos

Após o fim da gestão de Valdir Júnior (PSDB) e a entrada do atual prefeito, André Guimarães (PP), houve queda enorme nos repasses feitos para a clínica. O contrato venceu em março de 2025. No entanto, durante esses três meses, houve queda no repasse à Prontomed devido à diminuição de exames e consultas feitas pela empresa.

De janeiro a março de 2024, o município de Nioaque repassou R$ 211 mil para a clínica de Robson. Já no primeiro trimestre de 2025, o valor foi de R$ 70 mil, queda de quase 70% nos serviços pagos.

O Gecoc estima que 83% dos exames pagos pelo município de Nioaque durante os anos de ápice do esquema foram fraudados, o que rendeu cerca de R$ 4 milhões ao grupo criminoso.

Operação Auditus II

A Operação Auditus II foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) no dia 13 de agosto de 2026, com 12 mandados de busca e apreensão em Nioaque, , e , além de 5 mandados de prisão.

A investigação revelou que, entre 2021 e 2024, a Prefeitura de Nioaque pagou milhões para a Policlínica Rota Bioceânica (CNPJ 26.927.847/0001-00) — antiga Prontomed — por exames superfaturados que eram oferecidos na rede municipal de saúde.

Tudo o que foi apurado na Operação Auditus II chegou à conclusão de que cerca de 83% de todos os exames pagos por Nioaque no período investigado nunca foram realizados.

Conforme o Gecoc, Márcia Jara, ex-secretária de Saúde, e Vagner Guimarães, ex-secretário de Governo, recebiam propina para ‘aceitar’ todos os pagamentos que vinham da Prontomed. Isso porque, na modalidade de contratação feita com a clínica, a empresa só recebia por procedimento realizado.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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