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Transparência

Giovanni Jafar se entrega à polícia uma semana após família ser presa em Campo Grande

O empresário era o único do Clã Jafar que não tinha sido preso
Fábio Oruê -
Giovanni Jafar (Reprodução, Redes sociais)

Giovanni Paroschi Jafar se entregou à polícia na tarde desta terça-feira (14), em , uma semana após a Operação Gutenberg, que levou toda sua família para a prisão por envolvimento em esquema de fraude que desviou R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul.

Conforme boletim de ocorrência, ele chegou voluntariamente à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, acompanhado de uma advogada. Ele estava com mandado de prisão em aberto desde o dia 7 de julho, quando o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagrou a operação.

Os irmãos de Giovanni (Olivia e Felipe) e a mãe dele, Rossana Paroschi Jafar, além da ex-mulher, Rhayane Souza Fanaia, foram presos pelos agentes por envolvimento no esquema. Até o momento, apenas o mandado do empresário Heyder Bartz não foi cumprido.

Clã Jafar comandava esquema

O relatório de investigação do Gaeco aponta que, após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção.

A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica. Quebra de sigilo fiscal apontou que o clã recebia diversas transferências em sua conta pessoal da Editora Avante, que firmava contratos com os municípios.

Família Jafar: (da esquerda para a direita) Giovanni, Olívia, Rossana e Felipe (Reprodução, Redes sociais)

Para o Gaeco, a matriarca da família, Rossana, era a verdadeira cabeça por trás do esquema e da Editora Avante — que levava o nome da então esposa de Giovanni, Rhayne Fanaia.

Durante o cumprimento dos mandados, Rossana foi flagrada com munições intactas e também responde pelo crime de posse de arma de fogo. Foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques durante toda a ação.

Caminho do dinheiro

As investigações do Gaeco mostraram que o dinheiro que caía na conta da editora como pagamento das prefeituras era escoado para os demais integrantes do grupo criminoso.

Rhayane, nora de Rossana, obedecia às ordens do clã Jafar — apontado como o líder do esquema de corrupção, tendo como membros a matriarca Rossana Jafar e os filhos, Olívia e Pedro, que estão presos, e Giovanni, ex-marido de Rhayane.

Rhayane foi casada com Giovanni Jafar. (Reprodução, Redes Sociais)

Os saques seriam realizados por Rhayane e distribuídos aos demais membros da organização criminosa a mando do clã Jafar, como destaca trecho do relatório de investigação do Gaeco.

Reportagem do Jornal Midiamax revelou detalhes de como Rhayane, uma estudante, dona de brechó, virou ‘laranja’ da sogra para ficar com cerca de 1% do lucro do esquema de corrupção.

Operação Gutenberg

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.

Confira a lista atualizada de presos na operação:

  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul;
  • Giovanni Paroschi Jafar – empresário;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.

Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva — que seria de Rhayane — e 1 mandado de busca e apreensão.

A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.

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