O advogado da médica Olívia Jafar, Marcos Rocha, deve entrar com pedido de liberdade dela, presa na Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7), em Mato Grosso do Sul. Segundo a defesa, o pedido de prisão causou certa ‘estranheza’.
“No desdobramento anterior, Olívia não havia sido citada, por isso a estranheza em relação à prisão preventiva decretada agora”, afirma o advogado ao Jornal Midiamax. Ele ainda deve conversar com a médica e entrar com habeas corpus. Entretanto, o advogado ainda não teve acesso completo aos autos do processo.
A operação citada pela defesa implicou a mãe de Olívia, a dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar — também presa pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Gutenberg.
Família Jafar e a Operação Lama Asfáltica
Rossana é ré em uma ação civil de improbidade administrativa no contexto da Operação Lama Asfáltica. Ela é dona da Gráfica Alvorada, em que é sócia com o marido, Mirched Jafar Júnior, falecido em 2021, em decorrência de covid. Ele chegou a ser preso em uma das fases da operação, em 2017.
Rossana foi implicada civilmente na operação, em que ainda responde por ressarcimento ao erário. O casal chegou a ter um apartamento, avaliado em mais de R$ 1 milhão, bloqueado pela Justiça.
Uma das acusações contra a gráfica é o envolvimento em fraudes em contratos na SED (Secretaria de Estado de Educação) para fornecimento de livros didáticos. O MP apontou que a contratação ocorreu sem licitação, sob a justificativa de que a gráfica detinha a exclusividade sobre as obras.
A empresa é apontada como um dos caminhos para lavar dinheiro proveniente dos desvios de recursos públicos.

Filhos
O filho mais velho de Rossana, Felipe Paroschi Jafar — que era comissionado na Agesul —, também foi preso na terça-feira. Já o ‘herdeiro’ do meio, Giovanni Paroschi Jafar, foi alvo de pedido de prisão preventiva, que ainda consta como não cumprido.
A Lama Asfáltica partiu de investigação da Polícia Federal, que desvendou esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvios de dinheiro público em obras de pavimentação, limpeza pública e contratos de gráficas.
A Operação Gutenberg revelou esquema que desviou R$ 27 milhões em compras de livros didáticos em prefeituras de Mato Grosso do Sul. Foram 16 alvos de prisão e 43 de busca e apreensão.
Confira os presos na Operação Gutenberg:
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
O Gaeco mirou em alvos em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva e 1 mandado de busca e apreensão.
Ex-prefeito, empresários e servidores

Consta como alvo da operação o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Júnior Vasconcelos, que também é escrivão da Polícia Civil.
O chefe da regulação, Ed Carlo Brito Burgatt, também foi preso com a filha dele, Jéssyka Duarte Burgatt, que é dona de um plano de saúde em Campo Grande.
Outro núcleo familiar envolvido é formado pela dentista e dona da Clínica Ross, Rossana Paroschi Jafar, e seus filhos, a médica Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, que era comissionado na Agesul.
Também foram presos os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo, que são pai e filho. Eles são donos de negócios de veículos e casas noturnas em Campo Grande. Também há participação de advogados, como Gabriel Taquino de Paula e outro que ainda não foi identificado.
Em relação aos servidores que fazem parte dos quadros do Estado, o governo emitiu nota afirmando que serão afastados ou exonerados, no caso de comissionados. Além disso, foi aberta auditoria para apurar os procedimentos que teriam sido fraudados na saúde.
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(Revisão: Nichole Munaro)









