O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) ofereceu denúncia à Justiça contra 17 investigados por desvios de R$ 27 milhões em prefeituras de Mato Grosso do Sul. A reportagem verificou que a denúncia ainda está pendente de análise da Justiça.
Tudo foi apurado em investigação que começou em 2023 e culminou na Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026. No total, foram pedidas as prisões de 16 desses investigados, com 15 mandados cumpridos e um ainda pendente.
A investigação apontou que a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) firmou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda, mesmo sendo recém-criada e com capital social de R$ 40 mil, além de estar sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
Depois, o Gaeco conseguiu a quebra do sigilo fiscal e telemático e chegou a ao menos 17 prefeituras que firmaram contratos suspeitos com a editora. Tudo seria mediante ‘pressão’, já que o grupo se utilizava da estrutura da regulação estadual de saúde para usar a liberação de procedimentos como ‘moeda de troca’ para que prefeitos comprassem livros da editora Avante, que seria controlada pela família Jafar.

Denunciados:
- Rossana Paroschi Jafar (presa) – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar (prisão domiciliar) – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar (preso) – ex-comissionado na Agesul;
- Giovanni Paroschi Jafar (preso) – empresário;
- Rhayane Souza Fanaia (presa) – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
- Ed Carlo Britto Burgatt (preso) – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt (prisão domiciliar)– filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar);
- Joatan Gomes Peixoto (prisão domiciliar) – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto (preso) – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos (preso) – empresário;
- Douglas Henrique de Melo (preso )– empresário;
- Paulo Rogério de Melo (preso) – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula (preso) – advogado;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos (preso) – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
- Geancarlo Leal de Freitas (prisão revogada) – advogado e servidor público;
- Heyder Bartz (foragido) – empresário.
- Valesca Thaís Albuquerque Teixeira (não foi presa) – atual ‘proprietária’ da editora Avante
A reportagem acionou as defesas dos investigados e aguarda retorno.
Em nota, a advogada Beatriz Navarini, que representa o empresário Heyder Bartz, diz: “A defesa de Heyder Bartz recebeu o oferecimento da denúncia com a convicção de que se trata de uma etapa inerente ao devido processo legal, que não representa qualquer juízo de culpa. Reiteramos nossa absoluta confiança de que, ao longo da instrução processual, com a produção das provas e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, todos os fatos serão devidamente esclarecidos, demonstrando a efetiva realidade da atuação de Heyder. Por respeito ao devido processo legal e à própria tramitação da ação penal, a defesa não fará comentários sobre o mérito da acusação neste momento, limitando-se a reafirmar sua convicção de que a verdade prevalecerá ao final do processo”.
Já o advogado André Stuart, que representa Matheus e Joatan Peixoto disse que não poderia adiantar tese de defesa, mas contestou a denúncia pedir ressarcimento de R$ 27 milhões. “As licitações foram feitas e produtos entregues, com NF e pagamento de tributos”.
Clã Jafar: o cérebro do esquema

Conforme já apontado pelas investigações do Gaeco, a família Jafar, representada por Rossana Paroschi Jafar e seus filhos, Giovanni, Felipe e Olívia, era a real proprietária da Editora Avante, que estava no nome da ex-esposa de Giovanni, Rhayane Souza Fanaia. Todos estão presos.
O QG da operação seria a Clínica Ross, onde os agentes localizaram diversos kits de livros. Na sala de administração da clínica, o Gaeco apreendeu um comprovante de Pix no valor de R$ 30 mil feito para Rhayane.
Também foi apreendido um caderno escrito “extrato Editora Avante”, além de notas fiscais da editora e uma proposta de preços da Editora Avante ao município de Aquidauana.
O esquema contava ainda com a participação de empresários que recebiam valores no esquema de lavagem de dinheiro. Entre eles, estão Douglas Henrique de Melo e seu pai, Paulo Rogério de Melo, donos de garagens e casas noturnas em Campo Grande.
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(Revisão: Nichole Munaro)







