A Justiça reavaliou as medidas cautelares contra Francisco Cezário de Oliveira, ex-chefão do futebol sul-mato-grossense, investigado na Operação Cartão Vermelho por desvios milionários de recursos da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul).
Mesmo com o fim das instruções na ação, os desembargadores do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) decidiram manter algumas restrições impostas a Cezário e relaxar outra. Após quase 30 anos, o ex-mandatário deixou o comando da entidade ao ser preso, em maio de 2024, por desvios de R$ 10 milhões em recursos públicos pela então cúpula do futebol de MS.
Para a Justiça, a decisão de mantê-lo afastado da FFMS e proibi-lo de ter função na instituição ocorre para prever novos delitos no ambiente em que os fatos investigados aconteceram. O mesmo vale para o contato entre investigados: evitar a recomposição de vínculos operacionais.
Além disso, o TJMS manteve a obrigação de comunicar à comarca qualquer mudança de endereço, apenas para preservar o vínculo do acusado ao processo.
Entretanto, a Justiça retirou a proibição de contatos com as testemunhas, já que a fase de produção de provas já passou. Cezário também vai poder se ausentar de Campo Grande por mais de 8 dias sem precisar avisar a Justiça. Vale lembrar que ele já conseguiu a liberação da tornozeleira eletrônica.
Saída da FFMS
Desde sua prisão, o antigo mandatário vem tentando sucessivamente voltar ao cargo ‘no tapetão’, acumulando derrotas na Justiça.
Após a saída de Cezário, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) nomeou Estevão Petrallás como interino. Então, em outubro de 2024, a FFMS realizou assembleia extraordinária que oficializou a destituição de Cezário do cargo.
Em série de recursos, o ex-mandatário do futebol de MS tentou apontar brechas na legislação para anular a assembleia que o destituiu, mas o TJ já confirmou que a Lei Pelé garante essa autonomia à entidade.
Os magistrados também entenderam que Cezário apresentou recurso agindo por inconformismo e decidiram manter a destituição.
Operação Cartão Vermelho
Conforme informações do Gaeco, o grupo liderado pelo ex-mandatário da FFMS realizava pequenos saques de até R$ 5 mil para não chamar a atenção dos órgãos de controle. De setembro de 2018 a fevereiro de 2023, os desvios identificados superaram os R$ 10 milhões.
Somente durante o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu mais de R$ 800 mil, inclusive em notas de dólar. Os valores eram distribuídos entre os integrantes da organização criminosa.
As acusações são de integrar organização criminosa, peculato, furto qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Além de Cezário, o Ministério Público denunciou outras 11 pessoas pelos mesmos crimes.
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(Revisão: Nichole Munaro)








