A Justiça revogou a prisão preventiva do ex-secretário da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) Rudi Fiorese e demais presos na Operação Buraco sem Fim, deflagrada contra fraude em contratos do tapa-buracos em Campo Grande.
A defesa do ex-servidor Erick Valadão e do funcionário público licenciado da prefeitura de Campo Grande, Fernando de Souza, feita pelo advogado Fábio Ferraz, pediu a revogação, alegando que a denúncia já foi oferecida pela MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e que não há elementos para mantê-los presos.
O juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal, revogou as prisões dos dois e estendeu a decisão aos demais presos: Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh e Antônio Bittencourt Teixeira Pedrosa (sócio da Rial Construtora). Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa está em prisão domiciliar e Edivaldo Aquino havia conseguido a revogação por meio de habeas corpus.
“Não se pode admitir prisão preventiva como resposta simbólica à gravidade do fato, como antecipação de pena ou como mecanismo de contenção abstrata da criminalidade”, diz o juiz.
Entretanto, Barbosa determinou o monitoramento eletrônico por 180 dias, obrigação de manter o endereço atualizado e obrigação de comparecimento aos atos processuais.
“Posso afirmar que foi uma decisão muito bem fundamentada, que devolve aos meus clientes a condição de inocentes até que haja sentença condenatória com trânsito em julgado. Os fatos narrados pelo MPE merecem ser apurados com firmeza, todavia, respeitando o devido processo legal e a presunção de Inocência“, afirma o advogado Fábio Ferraz ao Jornal Midiamax.
Operação Buraco sem Fim
Em 12 de maio de 2026, o MPMS deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buracos.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço de Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.
A ação foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS (Centro de Pesquisa, Análise, Difusão e Segurança da Informação) e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.
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(Revisão: Nichole Munaro)





