O TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) negou, em sessão nesta terça-feira (21), o recurso de Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), que poderia reverter a perda do mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa e restabelecer o foro privilegiado. A corte acompanhou, por unanimidade, o parecer do relator, o juiz Fernando Duque Estrada.
Após a perda do foro privilegiado, o ex-parlamentar virou alvo de um mandado de prisão por ser acusado de liderar o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Ele não se apresentou à polícia até o momento.
“Por unanimidade, afastaram a preliminar e no mérito denegaram a insegurança nos termos dos votos do relator e da decisão com o parecer”, pronunciou o desembargador Sérgio Fernandes Martins. O presidente do TRE-MS, Carlos Eduardo Contar, não participou do julgamento por ser alvo do processo.
O mandado de segurança na Justiça Eleitoral foi protocolado pelo diretório do Partido Liberal em Mato Grosso do Sul e por Neno Razuk. O pedido era para suspender o reprocessamento da eleição geral de MS em 2022 após a anulação dos 10.782 votos recebidos por Raquelle Trutis para o cargo de deputada estadual. Ela e o marido, o ex-deputado federal Loester Trutis, foram condenados, em trânsito julgado, por prática de gastos ilícitos de campanha.
A condenação levou à retotalização das eleições e mudou a ordem dos eleitos. Neno Razuk acabou perdendo o cargo de deputado estadual para João César Mattogrosso (PSDB). O tucano tomou posse na Assembleia Legislativa em 26 de maio deste ano.
Família Razuk é denunciada por exploração do jogo do bicho

O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o ex-deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025, no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro. Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande acatou a denúncia do MPMS.
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