A rotina corrida, a pressão no trabalho, as preocupações financeiras, as responsabilidades familiares e a dificuldade de descansar fazem com que muitas pessoas convivam diariamente com sintomas de estresse, muitas vezes sem perceber os impactos desse ritmo na saúde.
A psicóloga organizacional e do trabalho do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Humap-UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), integrante da HU Brasil, Glaucia Mello Sanches, explica como identificar os sinais de estresse, quando a situação pode se tornar um problema de saúde e quais estratégias podem ajudar a reduzir a sobrecarga.
A pressão que se torna parte da rotina
Nós acostumamos a viver sob pressão em razão da aceleração do ritmo de entrega, que determina a vigilância ininterrupta como algo comum. Responder a mensagens do trabalho no sofá da sala, por exemplo, tornou-se uma métrica invisível de disponibilidade, confundindo a urgência real com outras demandas.
Quando o estresse ultrapassa os limites
O estresse abandona sua função biológica de alerta e pode se transformar em adoecimento crônico quando o trabalhador perde o controle sobre a gestão do próprio tempo.
Na prática, é possível identificar quem está vivendo no limite pela perda abrupta de flexibilidade cognitiva, com reações de irritabilidade desproporcionais diante de pequenas mudanças de planos.
Os sinais que o corpo apresenta
A cobrança no próprio corpo é notável. A exaustão mental pode se transformar em um colapso biológico, manifestado pela queda drástica da imunidade e pela insônia de manutenção, aquela em que a mente desperta durante a madrugada para resolver problemas institucionais.
Sem o descanso profundo, o cérebro amanhece banhado em hormônios do estresse, o que pode desencadear a ansiedade antes mesmo do início do expediente e interferir na qualidade de vida.
A importância de buscar ajuda
A busca por ajuda clínica torna-se necessária quando as estratégias de compensação falham, as pausas já não são suficientes para recuperar a energia mínima necessária para enfrentar a jornada de trabalho ou quando o problema passa a interferir em outros aspectos da vida do trabalhador.
Outro ponto que precisa ser superado é a culpabilização do indivíduo pelo adoecimento. A prevenção real exige que o ambiente de trabalho também assuma responsabilidade e considere a carga imposta por suas próprias ferramentas e processos.
As funções de liderança precisam desenhar fluxos de trabalho viáveis, identificar situações que possam gerar estresse e sobrecarga e conhecer as ações necessárias e os possíveis encaminhamentos.
Família como rede de apoio
Na prática, quem está ao nosso lado em casa se torna o nosso termômetro de lucidez. Seja ajustando a rotina de cuidados com a mãe no dia a dia ou dividindo a energia de um cinema com a família, é esse convívio direto que quebra o isolamento e sinaliza quando estamos passando do limite.
O ambiente familiar precisa ser uma âncora, funcionando como um espaço seguro onde seja possível simplesmente tirar o crachá do hospital e voltar a ser pessoa.
Estratégias para aliviar a sobrecarga
A mudança deve partir da perspectiva do que é essencial. Descansar não é luxo nem perda de tempo. É um pré-requisito biológico para a tomada de decisões.
Precisamos mudar o foco do mero “bem-estar”, entendido como um relaxamento superficial de fim de semana, para a garantia do “bem-ser”, que exige dignidade, crescimento e autonomia na rotina.
Para reduzir a sobrecarga diária, uma das estratégias mais efetivas é promover a desconexão, inclusive por meio do silenciamento de notificações desnecessárias.
Sobre a HU Brasil
O Humap-UFMS integra a HU Brasil desde dezembro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao MEC (Ministério da Educação), a estatal nasceu com o nome oficial de Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
Atualmente, a empresa é responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais, distribuídos em 25 unidades da Federação.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









