Acadêmicos do curso de Medicina da Uniderp, em Campo Grande, fizeram um protesto pacífico na manhã desta quarta-feira (12) contra a universidade. Os alunos pedem melhorias, principalmente no corpo docente e na infraestrutura da faculdade. A manifestação ocorre na Avenida Ceará, em frente ao campus da instituição.
Centenas de estudantes exibiam faixas e cartazes com escritas como “Pra onde vão meus R$ 14 mil? Estrutura precária!”, “Educação não é brincadeira” e “Professor não é descartável, aluno não é número!”. Apesar da aglomeração, que ocorre desde as 8h30, o trânsito flui normalmente na região, com a concentração dos alunos na calçada e no canteiro central.
A acadêmica de Medicina Letícia Duarte afirma que o curso sofreu alterações que prejudicaram as aulas e a aprendizagem dos alunos. “Essas mudanças não são boas porque cada vez mais tiram os professores. Há superlotação de salas e a infraestrutura deixa muito a desejar. O que nos é cobrado em mensalidade é um preço muito elevado em troca do que eles nos dão em retorno”, relata.

Falta de compromisso
Para Leonardo Gabriel, também acadêmico do curso, a administração da universidade prioriza os próprios interesses em detrimento dos alunos. “Eles pensam primeiro no bolso e depois no acadêmico. O acadêmico, se ficar um dia sem pagar boleto, eles cobram. Então a gente não vai ficar um minuto sem cobrar, porque aqui é nosso momento de fala”, afirma.
Leonardo ainda relata que as reclamações sobre a estrutura são frequentes, com falta de sabão nos banheiros, vazamentos de água e descarga quebrada. O aluno também expõe a falta de compromisso com serviços que deveriam ser ofertados.
“Outra questão que foi prometida e não cumprida é a sala de tutoria. Seria o momento de aplicar nosso conhecimento. É ali que se demonstra o que estudou. Mas temos sala para um professor administrar 15 alunos. Os docentes se esforçam, mas não dão conta da demanda. O corpo docente está sucateado. Precisamos de investimento na qualidade do corpo docente e na infraestrutura da faculdade”, reclama.

O que diz a Uniderp?
O Jornal Midiamax acionou a Uniderp e questionou sobre as reclamações abordadas no protesto dos estudantes. Em nota, a instituição afirmou que possui plano de melhorias, além de ter se reunido com representantes de turma na segunda-feira (10), com novo encontro marcado para a próxima terça-feira (18).
Confira a nota na íntegra:
“A Uniderp informa que mantém em andamento um plano de melhorias para o curso de Medicina, com investimentos em infraestrutura, ações acadêmico-pedagógicas e fortalecimento dos cenários de prática. As intervenções, com início ainda no mês de agosto, incluem novos laboratórios, espaços de tutoria e auditórios, além da melhoria de outros ambientes utilizados pelo curso e pela Universidade. A instituição também mantém parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde, hospitais e outras unidades da rede, assegurando aos estudantes experiências práticas em diferentes níveis de atenção à saúde.
Sobre a Avaliação de Progresso e Proficiência Clínica (APPC), a Uniderp esclarece que o instrumento acompanha o desenvolvimento dos estudantes e integra as adequações acadêmicas realizadas em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais. A instituição reconhece que mudanças podem gerar dúvidas e apreensão e reforça que manifestações e questionamentos dos alunos não implicam qualquer tipo de retaliação.
Representantes das turmas se reuniram com a coordenação do curso no último dia 10 e estão convidados para uma nova reunião em 18 de agosto, quando serão atualizados sobre o cronograma das obras e os investimentos previstos, além de discutirem propostas de melhorias acadêmicas apresentadas pelos estudantes. As sugestões deverão ser protocoladas junto à coordenação até 17 de agosto.
A Uniderp reafirma seu compromisso com a qualidade da formação médica, a melhoria contínua e o diálogo transparente com seus estudantes.”




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(Revisão: Nichole Munaro)




