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Cotidiano

SES confirma 13ª morte por chikungunya e casos aumentam 42% em sete dias

Com epidemia em 21 cidades, Mato Grosso do Sul soma quase 7,6 mil casos prováveis de chikungunya
Murilo Medeiros -
Ações de prevenção ao mosquito transmissor da Chikungunya
Ações de prevenção contra o mosquito transmissor da chikungunya. (Divulgação, Prefeitura de Dourados)

Bonito, cidade a 300 km de Campo Grande, confirmou a segunda morte por chikungunya da cidade, nesta quinta-feira (23). Assim, Mato Grosso do Sul chega a 13 óbitos pela doença em 2026. Com epidemia em 21 cidades, o Estado soma 7.599 casos prováveis — 42% a mais que na semana passada.

A vítima mais recente era uma mulher de 87 anos, que começou a ter sintomas de chikungunya no dia 8 de abril e morreu no domingo (19). Além de idosa, ela tinha pressão alta. Pessoas com comorbidades e em extremos de idades são o principal grupo de risco para a doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Outras duas mortes são investigadas pela SES (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul).

O Estado já confirmou 3.490 casos de chikungunya em 2026 e outros 4.109 aguardam resultados de exames laboratoriais, totalizando 7.599 casos prováveis. Na semana anterior, eram 5.352 registros. Ou seja, em sete dias, mais 2.247 mil pessoas adoeceram por chikungunya em Mato Grosso do Sul.

Além disso, , Nioaque e Aquidauana tiveram alta de notificações a ponto de serem classificadas em situação de epidemia de chikungunya, com incidência maior que 300 casos por 100 habitantes. Assim, sobe para 21 o número de municípios em cenário epidêmico no Estado. Confira a lista completa abaixo.

Essas informações foram divulgadas pela SES em boletim epidemiológico, na tarde desta quinta-feira (23).

Alta de 72%

Nas 15 primeiras semanas de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 4.415 casos prováveis de chikungunya. Agora, são 7.599 casos no mesmo período. Ou seja, uma alta de 72% com relação ao ano passado. Todas as semanas de 2026 superam os registros do mesmo período do ano anterior.

Confira no gráfico abaixo a evolução das contaminações por chikungunya, semana a semana, em 2026, e a comparação com o ano anterior.

(Reprodução)

Apesar de haver uma aparente diminuição dos casos prováveis nas últimas duas semanas, especialistas alertam que há demora na atualização de dados e esses números devem aumentar quando todos os registros forem computados. Pode haver subnotificação.

“Nunca deve-se analisar a última semana quando sai o boletim, porque geralmente o atraso na notificação é de duas semanas. Então, não se pode afirmar com certeza que está em queda”, explica Júlio Croda, infectologista da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Epidemia em 21 cidades

Até a última atualização de dados, eram 18 municípios em situação de epidemia de chikungunya. Agora, o número subiu para 21, com a inclusão de Antônio João, Nioaque e Aquidauana. Confira a lista completa:

  • – Casos prováveis: 378 | Incidência: 3.438,2
  • Fátima do Sul – Casos prováveis: 575 | Incidência: 2.790,0
  • Paraíso das Águas – Casos prováveis: 110 | Incidência: 1.996,4
  • Douradina – Casos prováveis: 100 | Incidência: 1.792,8
  • Jardim – Casos prováveis: 348 | Incidência: 1.451,1
  • Amambai – Casos prováveis: 415 | Incidência: 1.055,3
  • Batayporã – Casos prováveis: 112 | Incidência: 1.045,6
  • Corumbá – Casos prováveis: 1.002 | Incidência: 1.040,8
  • Dourados – Casos prováveis: 2.517 | Incidência: 1.034,2
  • Selvíria – Casos prováveis: 74 | Incidência: 908,9
  • Vicentina – Casos prováveis: 48 | Incidência: 757,6
  • Bonito – Casos prováveis: 162 | Incidência: 684,7
  • Costa Rica – Casos prováveis: 167 | Incidência: 641,4
  • Nioaque – Casos prováveis: 79 | Incidência: 597,6
  • Guia Lopes da Laguna – Casos prováveis: 51 | Incidência: 513,1
  • Aquidauana – Casos prováveis: 212 | Incidência: 453,0
  • Ladário – Casos prováveis: 95 | Incidência: 441,4
  • Jateí – Casos prováveis: 14 | Incidência: 390,4
  • – Casos prováveis: 39 | Incidência: 363,5
  • Figueirão – Casos prováveis: 12 | Incidência: 339,1
  • Antônio João – Casos prováveis: 31 | Incidência: 333,2

Municípios em alerta

Além disso, algumas cidades estão muito próximas da faixa que pode ser considerada epidemia — incidência de 300 casos por 100 mil habitantes. É o caso de Maracaju (299,7), Iguatemi (282,7) e Laguna Carapã (250).

Apenas Tacuru, Japorã, Aparecida do Taboado e Alcinópolis não registram casos de chikungunya em 2026. Na Capital, a incidência é de apenas 1,4, com 13 casos prováveis.

O boletim epidemiológico alerta, ainda, que as cidades de Douradina, Paraíso das Águas, Sete Quedas, Batayporã, Amambai, Nioaque e Corumbá apresentam as maiores altas de contaminação nas últimas duas semanas.

Fátima do Sul, por exemplo, tem a segunda maior incidência, considerando o acumulado do ano. No entanto, a cidade se encontra em baixa incidência, observando apenas os últimos 14 dias. Isso significa que a epidemia está em desaceleração no município.

Epicentro da chikungunya no país

Mato Grosso do Sul lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país, desde o início de 2026.

Com 275,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é mais de 17 vezes maior que a média nacional, de 15. Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência, seguido de Goiás (111,3), Rondônia (38,9), Minas Gerais (38,7), Mato Grosso (21), Tocantins (15,8) e Rio Grande do Norte (13,8).

Em todo o Brasil, são 20 mortes confirmadas, 13 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 65% das mortes estão concentradas no Estado.

Conforme a SES, apenas uma das vítimas não era parte do grupo de risco: um homem de 55 anos, sem comorbidades. Dez vítimas tinham mais de 60 anos e duas eram bebês. Os óbitos estão concentrados em Dourados (8), Jardim (2), Bonito (2) e Fátima do Sul (1).

Além disso, o Brasil tem 31.909 casos prováveis de chikungunya, sendo 7.599 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 23,8% do total nacional de casos prováveis.

Calamidade e emergência

Com o rápido espalhamento do vírus chikungunya pela zona urbana, a Prefeitura de Dourados decretou situação de calamidade em saúde pública na segunda-feira (20), devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.

No fim de março, o governo federal reconheceu situação de emergência em Dourados por conta do avanço dos casos. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. Além disso, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atuou por um mês no município.

Além da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, Jardim e Itaporã decretaram situação de emergência em saúde pública por conta do avanço da doença.

Entre as medidas possibilitadas pelos decretos de situação de emergência em saúde pública, estão compras de insumos e medicamentos sem licitação e contratação temporária e simplificada de agentes de endemias. Em Jardim, o decreto permite até o ingresso forçado em imóveis com focos de Aedes aegypti.

Vacinação

A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. O município recebeu 3 mil das 20 mil doses enviadas inicialmente e tem como meta imunizar 21,2% do público-alvo.

A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades. Dourados começa a imunização na segunda-feira (27).

Em Mato Grosso do Sul, foram recebidas 20 mil doses, com total previsto para 46,5 mil. Dessas, 7 mil foram encaminhadas ao núcleo regional de Dourados. A distribuição ocorre de forma fracionada, conforme a capacidade de armazenamento da rede de frio, para garantir a conservação adequada dos imunizantes.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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