A palavra “história” vem do grego historie, que significa “conhecimento por investigação”. Segundo o Dicionário Aurélio, ela abrange tanto a ciência que investiga o passado humano e suas transformações quanto os relatos.
O professor e historiador Victor Hugo Xavier Flandoli faz jus ao significado da palavra e, por meio das redes sociais, criou uma série de vídeos que contam, de forma criativa, o orgulho da identidade sul-mato-grossense na história.
A série é chamada de “Café com Chipa”, que também faz referência à gastronomia cultural regional. O quadro já contou sobre ruínas de uma cidade espanhola do século XVI, centenas de sítios arqueológicos espalhados pelo Estado e até vestígios históricos escondidos sob avenidas de Campo Grande. Os temas contam memórias muito antes da criação do Estado e que sua identidade é resultado de séculos de encontros, conflitos e influências.
Café com Chipa
Lançados semanalmente, os episódios apresentam acontecimentos históricos de forma leve, curiosa e acessível. O primeiro mergulha na história de Santiago de Xerez, considerado o primeiro povoamento europeu em território sul-mato-grossense.
Em 1593, o espanhol Ruy Díaz de Guzmán deixou Assunção com a missão de fundar um povoamento às margens do Rio Muney — atualmente o Rio Ivinhema, na região de Naviraí. Como a tentativa não prosperou, a expedição seguiu para as margens do M’Botetey, hoje Rio Miranda, em Aquidauana, onde surgiu Santiago de Xerez. Os registros da época também evidenciam a constante resistência dos povos indígenas, que defendiam seus territórios diante da ocupação europeia.
Outro vídeo da série chama atenção para um patrimônio muitas vezes desconhecido pelos próprios moradores. Mato Grosso do Sul possui mais de 800 sítios arqueológicos catalogados, alguns deles localizados inclusive em áreas urbanas de Campo Grande.
MS tem histórias
A proposta, segundo o professor, é justamente combater a ideia de que Mato Grosso do Sul seria um estado sem tradição cultural ou identidade própria.
Segundo ele, a iniciativa nasceu da percepção de que ainda há pouco conteúdo aprofundado sobre a história sul-mato-grossense disponível para o grande público.
“Percebo que tem uma falta de produção de história do Mato Grosso do Sul. Pouca gente quer falar, pouca gente está falando de maneira mais aprofundada. E aí eu decidi pegar grandes temas e ir contando a história do Mato Grosso do Sul a partir desses temas. Então, temas que são importantes e que conectam o Estado”, pontua.
“Campo Grande ainda tem um ou outro historiador, jornalistas e algumas iniciativas que falam. Agora, não vejo ninguém fazendo esse conteúdo que conecte Alcinópolis a Ponta Porã, Corumbá, Três Lagoas e Bataguassu. Então, já falei sobre a Guerra do Paraguai e a fundação das arqueologias. O próximo episódio eu vou falar da Serra de Maracaju.”
Histórias que conectam
“Estou tendo bastante feedback positivo. Esses dias me mandaram fotos de um forte militar, da época da Guerra do Paraguai, um seguidor. Outra seguidora me mandou fotos de um artefato rupestre em Aquidauana.”
“Tem muita gente falando: ‘Puxa, eu sou bisneto do Marcelino Pires’, ‘Meu avô veio trabalhar na antiga NOB [Noroeste do Brasil]’. Então, acho que a questão identitária está sendo muito legal, até mais do que esse foco nas provas, no vestibular ou alguma coisa assim.”
Confira:
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








