O município de Douradina é um dos 17 citados em relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com contrato suspeito com a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46).
Conforme o documento, a Prefeitura de Douradina firmou, em outubro de 2022, contrato de R$ 336.075,10 para aquisição de livros pedagógicos com a empresa sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, com capital social modesto de R$ 40 mil.
A Operação Gutenberg, do Gaeco, ainda aponta indícios de irregularidades em contratos com as prefeituras de Ivinhema, Ladário, Angélica, Miranda e Bonito, os quais também foram firmados por ‘inexigibilidade de licitação’. A empresa ainda tinha contratos com outros 11 municípios do Estado, num esquema que teria obtido R$ 27 milhões em recursos públicos. No total, foram 14 mandados de prisão cumpridos, além de 40 ordens de busca e apreensão.
O esquema se valia da participação de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação da Saúde no Estado — que está preso. Ele usava liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros das editoras do grupo.
O Gaeco identificou indícios de irregularidades e fraudes no uso do mecanismo de inexigibilidade de licitação: “A justificativa de que os materiais fornecidos seriam de edição e publicação exclusivas da EDITORA AVANTE não passou de tentativa de conferir ares de legalidade às fraudulentas contratações milionárias”.
Para os investigadores, a dentista Rossana Paroschi Jafar seria a verdadeira dona da Editora Avante, aberta inicialmente em nome de sua nora, Rhayane Souza Fanaia.
A reportagem acionou a Prefeitura de Douradina e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
Operação prendeu 14 pessoas
Toda a operação para desmantelar o esquema resultou no cumprimento de 14 mandados de prisão e 40 ordens de busca e apreensão. Além disso, mais de R$ 200 mil em espécie e cerca de R$ 3 milhões em cheques foram apreendidos na última terça-feira (7).

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Dois investigados continuam foragidos. Um deles é Giovanni Paroschi Jafar, no núcleo familiar das gráficas Jafar. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu no dia 7 de julho Rossana Paroschi Jafar e os filhos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar.
Giovanni é sócio da gráfica Bold Tech Ltda. (CNPJ 15.508.499/0001-10), de layout e comunicação visual, e da empresa Nerd Lab Tecnologia e Comunicação Digital Ltda. (CNPJ 38.294.077/0001-94).
A Operação Gutenberg revelou esquema que desviou R$ 27 milhões na compra de livros feita após ‘pressão’ do grupo criminoso, que se utilizava do então coordenador da regulação de saúde, Ed Carlo — já exonerado do cargo —, para liberar exames e procedimentos de saúde como ‘moeda de troca’ com gestores públicos.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)




