Tricô, jardinagem ou cerâmica — os mais jovens têm trocado as baladas por hobbies de “senhorinhas”, enquanto a geração prateada tem trocado as salas de casa pelas pistas, sejam da academia, do pilates, das corridas ou das boates. O comportamento intergeracional mudou e uma especialista explica a transformação. Validação? Autoafirmação? Medo de envelhecer ou parecer imaturo?
Nada disso. Durante muito tempo, de fato, determinadas práticas sociais foram associadas a determinadas fases da vida: crochê, novelas e xadrez eram considerados “coisas de velho”; por outro lado, a intensidade e todo o fervor de uma vida mais agitada, como esportes e festas, eram associados à juventude.
Contudo, atualmente, a idade deixou de ser uma referência e as fronteiras estão muito mais fluidas quando se fala em estilo de vida.
O psicólogo Eliezer Grillo, mestre em Psicologia da Saúde, explica que existe uma dimensão sociológica por trás dessa experiência.
Segundo Eliezer, o avanço da tecnologia, a popularidade das redes sociais e a necessidade de status influenciam a mudança de comportamento. Tais fatores, por consequência, resultaram em uma valorização da juventude e em uma sociedade hiperconectada.
“Nesse contexto, práticas mais lentas, como tricotar, jogar xadrez ou assistir a uma novela, podem funcionar para os jovens como uma espécie de contraponto à hiperconectividade e à aceleração”, explicou.
“Por outro lado, pessoas mais velhas podem encontrar nas atividades físicas, na dança e em novas experiências uma maneira de ampliar suas possibilidades de vida e romper com os estereótipos associados ao envelhecimento”, acrescentou o psicólogo.
Mas será que há uma necessidade de reafirmação de identidade? O especialista afirma que essa alternativa não está descartada. Além disso, seria um comportamento natural do ser humano.
“Nas redes sociais, nossas escolhas passaram a comunicar quem somos. Assim, fazer crossfit, tricotar, dançar ou assistir a novelas pode ser também uma forma de expressar pertencimento e construir uma determinada identidade”, esclareceu.
Ainda, o profissional fez questão de ressaltar que o mais importante é compreender o motivo por trás de cada escolha.
“Mais importante do que a idade da pessoa é entender o sentido que aquela experiência tem para ela”, ressaltou.
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(Revisão: Nichole Munaro)










