A defesa do médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, alega que a fisioterapeuta teria deixado uma carta se despedindo da família dias antes de ser encontrada sem vida na casa em que morava com o então marido. Fabíola morreu com um tiro na cabeça em maio deste ano, no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
Denunciado pelo crime de feminicídio, João foi preso na quinta-feira (3), pela terceira vez. Nesta sexta (4), ele passa por audiência de custódia no Fórum Heitor Medeiros, ocasião em que a Justiça verifica o cumprimento dos direitos constitucionais. Em seguida, o médico deve ser colocado em prisão especial, já determinada pela Justiça, por conta da idade e das condições de saúde dele.
Ao Jornal Midiamax, o advogado José Belga Trad, que representa a defesa do médico cardiologista, disse que uma carta teria sido escrita pela vítima dois dias antes da morte, em tom de despedida.
“Essa é uma carta que a Fabíola escreveu na antevéspera da sua morte. Nessa carta, a perícia atestou que a letra é dela. Então, essa aqui é uma carta que atesta que ela já estava imbuída do propósito de fazer o que fez. E ela deixou, registrou a sua intenção e, mais ainda, registrou uma despedida”, afirmou o advogado.
No último dia 28, o Jornal Midiamax noticiou a existência de textos escritos a próprio punho em folhas de caderno. O feminicídio de Fabíola foi antecedido por inúmeros pedidos de socorro silenciosos: “SOCORRO, SOCORRO, SOCORRO”.

A defesa do réu também citou uma troca de mensagens entre a vítima e um sobrinho, na véspera da morte. “Foi juntado no processo o relatório das conversas do celular da Fabíola. E nessas conversas que ela tinha com um sobrinho dela, ele notou que ela estava muito deprimida”, disse o advogado José Belga Trad.
À reportagem, a defesa alegou que a prisão é “totalmente desnecessária” e que o cliente “tem todo o direito de responder ao processo em liberdade”.
“A alegação dele é uma só, e é coerente desde o primeiro momento em que ele foi abordado pela autoridade policial, e foi ele que chamou a polícia para atender à ocorrência”, falou o advogado de João Jazbik Neto.

Prisão de cardiologista por feminicídio
João foi preso na tarde de quinta-feira (3) por uma equipe da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Essa é a terceira vez que o cardiologista volta para a cadeia.
Em sua chegada à delegacia, ele negou a autoria da morte e culpou o irmão de Fabíola. “Eu não matei a Fabíola; eu vivia com ela em lua de mel e a família dela sabe”, falou o médico. Ao sair da especializada para ser encaminhado ao Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), Jazbik culpou novamente o irmão da vítima e voltou a negar a autoria da morte.
“Eu não matei a Fabíola. O episódio que aconteceu com a Fabíola, eu acho que foi um problema do irmão dela ser inimigo da família. A mãe dela tinha um aneurisma de barriga; ele veio de São Paulo de mão aberta e falou: ‘Eu vou cuidar disso’. Levou dois dias operando, foi para o CTI e morreu”, disse João com exclusividade ao Jornal Midiamax.
Relembre o caso
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida, no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
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⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
(Revisão: Nichole Munaro)








