Na tarde desta quarta-feira (5), aconteceu a primeira audiência de instrução e julgamento do trio responsável pelo roubo de uma família no bairro Universitário, em Campo Grande. Na época, o caso ganhou grande repercussão devido à ação dos envolvidos, que seriam integrantes de facção criminosa.
O crime ocorreu no dia 11 de março, quando dois criminosos invadiram a residência do homem, de 55 anos, e da idosa, de 76 anos. Após a invasão, ambos acionaram outros três integrantes, que chegaram de Uber na casa e assim agrediram os moradores e roubaram carros, joias e outros itens das vítimas.
Na data dos fatos, um rapaz, de 18 anos, e uma mulher, de 39 anos, foram presos. Já no dia 12, as equipes do Choque da PM (Polícia Militar) conseguiram capturar a terceira envolvida enquanto estava em um ônibus com destino à cidade de Rondonópolis. O veículo foi interceptado já na região de São Gabriel do Oeste, a 124 km de Campo Grande.
Nesta quarta-feira, aconteceu a primeira audiência de instrução e julgamento do caso. Assim, o trio, que atualmente continua preso, foi ouvido sobre a versão dos fatos; no entanto, apresentou versões contraditórias. Dois negaram o roubo e afirmaram que foram chamados pela mulher, de 39 anos.
Ajuda em frente
O suspeito, de 18 anos, disse que a acusada, a mulher, de 39 anos, havia prometido que lhe ajudaria financeiramente se ele ajudasse a descarregar coisas de dentro dos carros. Para a reportagem, a advogada de defesa, Sandra Mariano dos Santos, falou que ele não sabia que estava participando do roubo.
“Ele participou apenas achando que estava ajudando um frete e não foi o que aconteceu. Ele não sabia o que estavam fazendo, neste dia, ele tinha usado droga”, disse a defesa.
Segundo a defesa do jovem, ele, que é morador de Mato Grosso, havia vindo para Campo Grande (MS), pois teria conhecido uma jovem pela internet. No entanto, ao chegar à cidade, não encontrou a mulher.
Assim, teria ficado perambulando por aqui, visto que é usuário de drogas. No entanto, acabou conhecendo a mulher, de 39 anos, em determinado momento.
“Ele encontrou, em determinado momento e nesse contexto de conversa, ela falou: ‘Eu ajudo você a voltar para a casa, mas ela precisava fazer um frete’. Nesse momento, ele já teria usado droga, entrado no carro e ido até o local com ela, onde houve todo o contexto fático”, disse a defesa.

Roubo
No dia 11 de março, as equipes foram acionadas para averiguar uma ocorrência de roubo em residência com restrição de liberdade, pois um homem e uma idosa foram agredidos, e um deles precisou ser hospitalizado. Os suspeitos encapuzados e armados renderam as vítimas e roubaram joias e dois veículos — sendo um Celta e um New Beetle.
Após o crime, os veículos se deslocaram pela BR-163, sentido distrito de Anhanduí. Nas proximidades do km 38, o New Beetle, seguido pelo Celta, foi visto retornando para Campo Grande. Assim, os militares tentaram abordar os veículos, mas os condutores fugiram.
Logo, iniciou-se uma perseguição, e os ocupantes do Celta foram abordados após alguns quilômetros. No veículo, estavam: uma mulher, de 39 anos, na condução; e um passageiro, de 18 anos. Com eles, foram encontrados um aparelho de ar-condicionado no porta-malas, duas mochilas, uma antena do tipo Starlink e uma carteira de bolso de cor preta — das vítimas.
Durante a abordagem, o rapaz estava com uma corrente de ouro com pingente e uma pulseira dourada, também roubados da casa das vítimas. Ele disse que mora em Várzea Grande, em Mato Grosso, e que chegou a Campo Grande na última sexta-feira (6), pois foi contratado por R$ 1,5 mil para participar do crime.
Ainda durante entrevista à equipe policial, o rapaz falou que foi o responsável por render as vítimas, juntamente com um comparsa — ainda não localizado. Ele explicou que os dois renderam os moradores para que os outros criminosos adentrassem o imóvel.
Condutora do Celta saiu de Goiânia para o roubo em MS
Na ocasião, a mulher que conduzia o Celta afirmou que mora em Goiânia e chegou à Capital no último dia 3, pois foi contratada para participar do roubo e receberia R$ 3,5 mil para levar o carro até a fronteira. Ela e o rapaz ficaram hospedados em uma pousada até a chegada dos outros comparsas — todos de Mato Grosso e integrantes do CV (Comando Vermelho).
De acordo com o registro policial, o grupo faccionado se reuniu na capital para praticar crimes.
Além do Celta, as equipes encontraram o veículo New Beetle abandonado em uma estrada vicinal, após bater contra uma cerca. Os ocupantes não foram localizados.
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