Vicente Manoel da Silva, de 81 anos, conhecido como Vicentinho, um dos maiores guardiões da cultura do povo Guató, deve ser enterrado no Pantanal de Mato Grosso do Sul, onde preservou a história de seu povo.
O “Guardião Guató” foi encontrado morto na terça-feira (4), em sua casa, às margens do Rio São Lourenço. A morte teria ocorrido por causas naturais. Nesta quarta-feira (5), o corpo do indígena foi transportado para a área urbana de Corumbá por uma aeronave do Corpo de Bombeiros, para exames de praxe, já que a casa fica em uma região isolada.
Conforme apurado pela reportagem, a previsão é que ele retorne à região onde viveu por décadas e pode ser sepultado ao lado do túmulo da mãe, em uma despedida marcada pelo simbolismo de permanecer na terra de seus ancestrais. Contudo, por enquanto, não há informações oficiais sobre o velório.
Ícone da resistência Guató
Diversas entidades publicaram homenagens a Seu Vicente. De acordo com o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), Vicente era filho de pai e mãe Guató, nascido em maio de 1945. Tornou-se um ícone da cultura e da resistência Guató, além de uma referência para o Pantanal. Falante da língua guató, tornou-se um de seus maiores expoentes por ser considerado um dos poucos a dominar o idioma.
“Toda a sua grandiosidade para a cultura e a tradição nunca alterou seu modo de viver nem suas raízes. Seu Vicente seguiu vivendo em meio ao Pantanal, há décadas morando às margens do Rio São Lourenço, na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ocupando o território onde seus ancestrais viveram, pescando nos corixos em que tantos outros Guató também pescaram e navegando em sua canoa de um pau só”, descreve o IHP.
Vicente foi uma das figuras emblemáticas das gravações do filme Ruivaldo, O Homem que Salvou a Terra, do Documenta Pantanal, em 2018. Na época, ensinou com maestria algumas palavras em guató.
“Nos últimos anos de sua vida, Seu Vicente dedicou seu tempo ensinando linguistas e professores de aldeias próximas a língua guató, pensando na preservação da língua e de sua cultura”, pontua.
Mais de 50 gatos
Nesta quinta-feira, a ONG É o Bicho MT compartilhou uma publicação relatando que Vicente foi um dos ribeirinhos atendidos durante uma ação inédita voltada à saúde animal e à castração dos animais das comunidades ribeirinhas da região onde vivia.
“Mesmo com tantas dificuldades, ele dedicava sua vida aos seus mais de 50 gatos. O Senhor Vicente nos ensinou que cuidar é, acima de tudo, um ato de amor, dedicação e respeito pela vida”, escreveu a instituição.
Ainda de acordo com a ONG, uma equipe deve retornar ao local para verificar a situação dos animais após a morte do tutor.
Fale com os jornalistas do MidiaMAIS!
Tem algo legal para compartilhar com a gente? Fale direto com os jornalistas do MidiaMAIS através do WhatsApp.
Mergulhe no universo do entretenimento e da cultura participando do nosso grupo no Facebook: um lugar aberto ao bate-papo, troca de informação, sugestões, enquetes e muito mais. Você também pode acompanhar nossas atualizações no Instagram e no Tiktok.







