A UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) informou, nesta quarta-feira (5), que estuda medidas para mitigar os prejuízos aos estudantes de Nova Alvorada do Sul que tiveram o transporte intermunicipal comprometido na volta às aulas do segundo semestre letivo.
A Prefeitura de Nova Alvorada do Sul, município a 130 km de Campo Grande, suspendeu o fornecimento do transporte após a deflagração da Operação Rota Desviada, em 19 de maio, que investiga suspeita de fraudes na execução do contrato do transporte universitário.
A estimativa é que 175 estudantes tenham realizado a matrícula ou rematrícula para o segundo semestre de aulas. Entre eles, 19 alunos seriam da UFGD. As aulas retornaram na última segunda-feira (3).
“Logo ao tomar conhecimento da situação, a Universidade iniciou a adoção das providências institucionais cabíveis. A Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROGRAD) e a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE) foram acionadas em caráter prioritário para avaliar os impactos acadêmicos decorrentes da interrupção do transporte e definir os encaminhamentos necessários, com vistas à mitigação de eventuais prejuízos relacionados à frequência e aos processos de avaliação dos estudantes afetados”, informou a UFGD em nota ao Midiamax.
A Câmara de Vereadores instaurou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), na última terça-feira (4), para investigar o contrato e termo de fomento do transporte dos estudantes. O objetivo é apurar repasses feitos pela prefeitura à Aeunas (Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul), os quais somam R$ 3,8 milhões nos últimos anos.
A Prefeitura de Nova Alvorada do Sul teria se comprometido a fornecer dois ônibus “amarelinhos”, com capacidade para 31 passageiros cada, e uma van com 15 lugares, totalizando 77 vagas. Porém, em 31 de julho, a Aeunas comunicou que os amarelinhos deixariam de atender os universitários em 1º de agosto.
O prefeito José Paleari (PP) informou que os ônibus não seriam adequados para realizarem este tipo de transporte devido à segurança e da falta de autorização para viagens por rodovias. Anteriormente, o transporte era 50% privado e 50% realizado pelos amarelinhos, mas devido às reclamações foi 100% terceirizado, o que teria motivado o aumento do fomento.
Após a operação, houve a suspensão do contrato conforme recomendação da promotoria. No dia em que aprovaram a CPI, os vereadores autorizaram um requerimento para a Prefeitura repassar à Aeunas R$ 150 mil por mês para custear o transporte. Contudo, o prefeito informou que precisa saber se juridicamente pode liberar o recurso devido à CPI.
Alunos
Após a deflagração da Operação Rota Desviada, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) teria recomendado à Prefeitura que reduzisse o termo de fomento ao teto anula de R$ 1 milhão, preservando até R$ 280 mil para serem repassados “estritamente para a manutenção essencial do serviço de transporte no decorrer do ano”.
Em nota, o DCE-UFGD (Diretório Central dos e das Estudantes) da UFGD disse que foi informado pela Aeunas sobre os valores que precisariam ser arcados pelos 175 estudantes associados para custear o transporte e a continuação dos estudos. Antes da operação, eram 304 associados.
As simulações apontam que os associados poderiam ter que desembolsar por mês para custear o transporte entre R$ 793,10 (se a Prefeitura manter os “amarelinhos”) e R$ 1.747,12 (sem qualquer apoio da Prefeitura).
“Dessa forma, o problema deixou de representar apenas um risco de insuficiência de vagas e passou a configurar a efetiva impossibilidade material de deslocamento dos estudantes que não possuem meios próprios ou condições financeiras para custear transporte particular. A interrupção ocorreu sem que fosse apresentada solução substitutiva, cronograma de retomada ou previsão para a criação de novo instrumento de fomento”, informa a nota do DCE da UFGD.
Os estudantes cobram que a UFGD adote medidas para mitigar os prejuízos aos estudantes, sobretudo no período de 20 dias entre 3 a 22 de agosto de 2026, como avaliação das justificativas de faltas e reposição de conteúdos, atividades e avaliações perdidas.
Em nota, a UFGD se comprometeu a dialogar com a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul, com o DCE e a Aeunas para buscar “alternativas que contribuam para assegurar a permanência estudantil e a continuidade das atividades acadêmicas”.
Confira a nota da UFGD na íntegra:
Em atenção à sua solicitação, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) informa que recebeu, no final da tarde de terça-feira (04/08), ofício encaminhado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFGD), comunicando a suspensão do transporte universitário disponibilizado pelo Município de Nova Alvorada do Sul.
Com base nas informações encaminhadas pela representação estudantil, foi identificada, em levantamento preliminar, a existência de 19 estudantes regularmente matriculados na UFGD diretamente impactados pela medida. Ressalta-se, contudo, que a suspensão do transporte municipal não afeta exclusivamente acadêmicos da UFGD, alcançando também estudantes de outras instituições de ensino superior sediadas em Dourados.
Logo ao tomar conhecimento da situação, a Universidade iniciou a adoção das providências institucionais cabíveis. A Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PROGRAD) e a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE) foram acionadas em caráter prioritário para avaliar os impactos acadêmicos decorrentes da interrupção do transporte e definir os encaminhamentos necessários, com vistas à mitigação de eventuais prejuízos relacionados à frequência e aos processos de avaliação dos estudantes afetados.
Concomitantemente, a UFGD promoverá interlocução com a Prefeitura Municipal de Nova Alvorada do Sul, o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFGD) e a Associação dos Estudantes Universitários de Nova Alvorada do Sul (AEUNAS), buscando, de forma articulada, alternativas que contribuam para assegurar a permanência estudantil e a continuidade das atividades acadêmicas.
A UFGD reafirma seu compromisso com a permanência e o êxito acadêmico de seus estudantes e continuará acompanhando a situação de forma permanente, finaliza a nota.
Operação Rota Desviada
O Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), em apoio à 1ª Promotoria de Justiça de Nova Alvorada do Sul, deflagraram a Operação Rota Desviada, que cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Dourados, Fernandópolis (SP) e Ituiutaba.
Conforme o Gecoc, os investigados utilizaram a Aeunas em esquema ilícito envolvendo recursos públicos destinados ao transporte de alunos. Em nota na época, a Aeunas informou que a investigação do MPMS referia-se à gestão anterior da associação.
Segundo o MPMS, as investigações apontam que os recursos públicos do Termo de Fomento firmado entre o município de Nova Alvorada do Sul e a entidade estudantil, para o custeio de transporte dos estudantes universitários do município, eram desviados, mediante transferências, em benefício de servidores públicos e membros do Poder Legislativo municipal.
Foram cumpridos mandados judiciais nas residências do ex-presidente da Câmara Sidcley Brasil da Silva, do vereador Ronaldo Camargo e do ex-marido de uma mulher que fazia parte de uma associação de estudantes do município.
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