O início do velório de Alcides Bernal, no Parque das Palmeiras, em Campo Grande, foi marcado por consternação de amigos e familiares. Parentes do político evitaram falar com a imprensa, mas amigos destacaram a personalidade e os marcos da vida pública do ex-prefeito.
O aposentado Valdemir Gamarra, de 69 anos, relatou ter vivido bons momentos com o amigo Bernal, antes mesmo de ele chegar ao Paço Municipal de Campo Grande. Aos jornalistas, ele frisou que, apesar de Alcides ter ido à prisão após assassinar o auditor fiscal Roberto Mazzini, em março deste ano, a relação com o amigo exigiu uma despedida sincera.

“Independentemente do que aconteceu com ele, temos considerações. Vim aqui para me despedir dele. Nos conhecemos através do escritório. Eu sempre ia no escritório dele para conversarmos. Sempre fui bem atendido. Fomos amigos por mais de 15 anos, lá na época da rádio, e depois que ele saiu do rádio seguimos mantendo contato. Independentemente do que aconteceu com ele, não deixa de ser um amigo, companheiro”, diz Valdemir.
Já Ricardo Machado, advogado de Bernal, lamentou o fato de a Justiça não ter atendido ao pedido de prisão domiciliar após a intervenção cirúrgica decorrente de infarto no início de julho.
“O que eu posso dizer é que a defesa, em todo instante processual, alertou o Poder Judiciário. E as decisões extremamente infelizes. No final das contas, o maior demonstrativo de que o problema de saúde dele era grave, que o problema de saúde dele deveria ser tratado e que ele deveria estar em domiciliar, nós temos a resposta hoje”, disse o advogado.
Ricardo não descarta reação jurídica, mas pontuou que, neste momento, a prioridade é a despedida do ex-prefeito. “Depois, nós conversaremos com a família para que não tenha nenhuma decisão tomada de cabeça quente. Mas, com certeza, a família de Alcides Bernal, representada por seus advogados, tomará as medidas adequadas e cabíveis ao caso”, disse.

Ex-secretário na gestão de Bernal, o advogado Wilton Acosta afirmou que o ex-prefeito deixa legado ilustre para Campo Grande, mesmo diante da gestão marcada por polêmicas.
“Nós, que seguimos uma carreira política com o Alcides e acompanhamos ele desde a gestão da Prefeitura de Campo Grande, o processo de cassação, aquela perseguição diária que ele sofria… Tudo isso vem à memória. Mas também vem à memória a [imagem] de um cidadão ilustre, honesto, justo”, afirmou.
De acordo com Acosta, Bernal vivia sob forte emoção e pressão diária. “Isso realmente levou naquele momento a uma atitude que não era desejada, não era apropriada, mas infelizmente aconteceu, mesmo. E hoje nos resta essa tristeza, esse momento de angústia de enterrar uma pessoa, de levar ao túmulo uma pessoa que, de uma forma muito concreta, contribuiu para Campo Grande”, afirmou.
Ex-secretária da Mulher de Campo Grande, Jacqueline Hildebrand recorda-se de Bernal como um político que encampou a agenda de defesa da mulher. “É um grande legado que ele deixa para Campo Grande, a criação da Secretaria da Mulher. E a construção da Casa da Mulher Brasileira, a primeira casa construída no Brasil, foi o Bernal que lançou a pedra fundamental”, afirmou.

O sepultamento do ex-prefeito está agendado para ocorrer às 16h.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







