A juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, precisou adiar a audiência para ouvir os réus envolvidos em esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul), que tem como pivô o despachante David Cloky Hoffamann Chita.
Chita responde em diversos processos envolvendo corrupção no órgão. Em audiência marcada nesta sexta-feira (22), foram ouvidas oito testemunhas de defesa do despachante. Entretanto, não compareceram ao encontro algumas testemunhas arroladas, que necessitariam de condução coercitiva — quando a pessoa é intimada, mas se recusa a comparecer.
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, isso aconteceu porque a Polícia Militar afirmou estar sem efetivo para conduzir os depoentes até o Fórum de Campo Grande. A expectativa era de que os réus também fossem ouvidos nesta ocasião. Também é ré nesta ação penal a ex-servidora comissionada da Corregedoria do Detran-MS Yasmin Osório Cabral.
Outros dois despachantes também constam como réus: Hudson Romero e Edilson Cunha. Por conta das faltas, a juíza remarcou a audiência para meados de julho.
David e Yasmin chegaram a ser presos no decorrer do processo, mas estão em liberdade. O despachante ainda utiliza tornozeleira eletrônica. Apenas David possui testemunhas de defesa.
As oito testemunhas ouvidas nesta sexta são clientes que prestaram serviço com o despachante, e a defesa tenta provar a idoneidade dele. Grande parte afirmou que fez negócios legais com ele e outros disseram que ele foi contratado por terceiros.
Defesa de Yasmin pode ‘enrolar’ sentença
Como já antecipado pelo Jornal Midiamax, conforme o advogado que representa Yasmin, Ewerton Belinati, um pedido para reabertura do prazo para apresentar nova defesa deve ser solicitado.
O pedido já havia sido negado, mas o advogado diz que “será novamente apresentado, oportunamente, nas alegações finais”.
A estratégia pode ‘enrolar’ uma sentença, já que o pedido terá de ser analisado pelo juiz e pelo MP. Caso seja acolhido, o processo ‘volta no tempo’ e poderá haver necessidade, por exemplo, de marcar novas audiências para ouvir outras possíveis testemunhas.
Atualmente, o processo está em fase de audiências para ouvir testemunhas. No dia 14 de abril, a juíza ouviu as testemunhas de defesa de David.
A reportagem tentou ouvir o advogado de David, mas não obteve retorno até o momento. Anteriormente, ele havia dito que não se manifestaria sobre o processo, por estar em sigilo.
Dupla é acusada de operar esquemas no Detran-MS
Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.
De acordo com o relatório de investigação policial, que está em sigilo, mas ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joias e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.
A primeira audiência do caso aconteceu no fim de janeiro. Na ocasião, as defesas de David e Yasmin preferiram não dar muitos detalhes.
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(Revisão: Nichole Munaro)





