A Justiça autorizou a devolução do telefone celular do empresário Lucas de Andrade Coutinho. Ele é réu em diferentes casos de corrupção e, desta vez, foi beneficiado em processo referente a um escândalo na saúde e na educação de Mato Grosso do Sul.
O aparelho de Lucas, um Apple iPhone 14 Pro, foi apreendido na segunda fase da Operação Turn Off, do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A defesa alegou que o Ministério Público já havia extraído os dados do telefone e que não havia mais necessidade de retê-lo.
O MP concordou e emitiu parecer favorável à devolução. O juiz da 2ª Vara Criminal, Deyvis Ecco, seguiu esse entendimento e autorizou a entrega do iPhone.
“Considerando que o bem já foi periciado e que os dados de interesse para a instrução processual foram devidamente juntados aos autos, conforme informado pelo Ministério Público, não subsiste razão para a manutenção da apreensão, impondo-se a restituição do celular”, escreveu.
A decisão foi assinada na segunda-feira (10) e publicada na edição desta sexta-feira (14) do Diário da Justiça Eletrônico de MS.
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Operação Turn Off
Em 29 de novembro de 2023, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com o apoio das 29ª e 31ª Promotorias de Justiça de Campo Grande, do MPMS, deflagraram a Operação Turn Off, contra um esquema de corrupção nas secretarias estaduais de Saúde e Educação.
A investigação do Gecoc — que utilizou provas da Operação Parasita, de dezembro de 2022 — apontou a existência de uma organização criminosa, formada por autoridades, servidores e empresários, que fraudava licitações públicas, com pagamento e recebimento de propina. Os contratos suspeitos ultrapassam R$ 68 milhões.
Entre as compras investigadas, está:
- aquisição de aparelhos de ar-condicionado para a SED-MS (Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul);
- locação de equipamentos hospitalares e elaboração de laudos para a SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul);
- compra de materiais e produtos hospitalares para pacientes da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), em Campo Grande.
Foram presos o então secretário-adjunto de Estado de Educação, Édio Resende de Castro; as servidoras públicas Andréa Cristina Souza Lima e Simone Ramires de Oliveira Castro; os empresários Lucas de Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior e o primo deles, Victor Leite de Andrade; o ex-assessor parlamentar Thiago Haruo Mishima; e o ex-coordenador da Apae Paulo Henrique Muleta. O grupo foi solto menos de um mês depois.
No dia 6 de junho de 2024, foi deflagrada a segunda fase da Turn Off. Lucas e Sérgio Coutinho voltaram a ser presos sob a acusação de que continuavam a cometer lavagem de dinheiro. Novamente, eles conseguiram liberdade.
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(Revisão: Nichole Munaro)









