Preso na quinta-feira (13) pelo Gecoc por liderar esquema que fraudava exames e consultas, o médico Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, o Dr. Robson, foi candidato a vice-prefeito de Antônio João, cidade na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
Conforme o registro de candidatura, disponibilizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o médico foi vice na chapa do professor Elimar Brum, pelo PDT.
Naquela ocasião, a população elegeu Selso Lozano (PT). A chapa de Robson ficou em segundo lugar, com 1.467 votos.
O médico ainda não havia aberto a Policlínica Rota Bioceânica (CNPJ 26.927.847/0001-00) — antiga Prontomed —, alvo da Operação Auditus II.
À Justiça Eleitoral, ele apenas declarou atuar como médico e possuir R$ 130 mil em bens, sendo uma casa em Campo Grande e um caminhão ano 1981.
Ele é concursado como médico-legista do Estado desde 2021 e foi afastado do cargo após a prisão. Robson também será alvo de apuração da corregedoria. O atual salário dele no Estado é de R$ 11.137,93.
Médico faturou milhões com esquema
Conforme levantamento do Jornal Midiamax, a clínica de Robson faturou mais de R$ 5 milhões em contratos com a Prefeitura de Nioaque.
O primeiro contrato com a empresa médica — sediada em Jardim — foi firmado em agosto de 2018, com valor total de R$ 43,2 mil, pago em 12 meses de serviços prestados, passando para R$ 64,8 mil em 2020. Depois da reeleição do prefeito de Nioaque, Valdir Júnior, o valor do contrato saltou para R$ 1,44 milhão e chegou a R$ 4.255.920,00 em 2022-2023.
Nesse tipo de contrato, a administração municipal só paga mediante comprovação da prestação de serviço. Então, a clínica só recebe por cada consulta ou exame feito para cidadãos nioaquenses.
A empresa precisa enviar a documentação, que deve ser auditada e validada pela prefeitura para que haja o posterior pagamento.
No entanto, esse ‘boom’ chamou atenção dos investigadores, que descobriram o esquema. A fraude funcionava a partir do envio de documentos falsos, que eram confirmados por servidores cooptados mediante pagamento de propina.
Ao fim, a empresa recebia por exames que nunca realizou.
A reportagem tenta contato com o ex-prefeito Valdir Júnior, mas nossas ligações não foram atendidas nem as mensagens foram respondidas.
O Jornal Midiamax também tentou ligar para a Policlínica para falar com um responsável, mas as ligações também não foram atendidas. O espaço segue aberto para manifestações.
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(Revisão: Nichole Munaro)









