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Transparência

‘Não muda nada’, rebate interventor sobre decisão que barra acesso às contas do Consórcio Guaicurus

Donos das empresas de ônibus tentam 'melar' intervenção
Gabriel Maymone -
Intervenção abre caixa-preta e revela que rombo no Consórcio Guaicurus passa de R$ 20 milhões
Interventor-chefe do Consórcio Guaicurus, Aléxandro de Oliveira faz balanço do primeiro mês de trabalho. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Após a Justiça atender ao pedido dos donos do Consórcio Guaicurus para barrar o acesso dos interventores às contas da concessionária, em mais uma tentativa de ‘melar’ a intervenção, o advogado Aléxandro de Oliveira, que comanda os trabalhos, afirmou que a decisão ‘não muda nada’.

Ao Jornal Midiamax, o interventor-chefe nomeado pela Prefeitura para gerenciar o Consórcio disse: “Na prática, como os interventores sempre se ativeram estritamente às contas voltadas à gestão do Consórcio Guaicurus, isso não muda em nada o cenário operacional que já vem sendo praticado”.

A Justiça decidiu “suspender a eficácia do capítulo que autoriza a livre movimentação pelos interventores e estende os efeitos da intervenção às contas de coligadas estranhas à concessão”.

Aléxandro diz que “a decisão será integralmente cumprida e, caso necessário, no momento processual adequado e respeitando o devido processo legal, levaremos os esclarecimentos necessários em grau recursal”.

Após a decisão, os sócios do Consórcio Guaicurus emitiram nota, afirmando que “o Consórcio Guaicurus entende que a decisão reafirma a necessidade de que a intervenção observe os limites legais e o devido processo. As empresas consorciadas reiteram que seguem à disposição para o diálogo com a Prefeitura em busca de soluções que assegurem a continuidade e a qualidade do transporte coletivo de “.

Interventor denunciou possível boicote dos empresários do ônibus

Paulo Constantino de Carvalho é representante legal do Consórcio Guaicurus. (Helder Carvalho, Midiamax)

Os trabalhos da intervenção no Consórcio Guaicurus revelam uma suspeita de que os empresários do ônibus tenham articulado tentativa de boicote operacional e financeiro na concessionária.

Conforme o interventor-chefe, Aléxandro de Oliveira, logo nos primeiros dias de intervenção, teria ocorrido uma ordem para que fossem realizadas muitas viagens, com o objetivo de aumentar os custos e minar os recursos financeiros disponíveis no caixa da empresa.

“O que a gente percebeu aqui, do ponto de vista operacional, era que vinha havendo uma certa negligência com viagens. Aparentemente, com a intervenção, houve uma ordem que, independentemente de custo, era para se fazer muitas viagens. Isso eu não estou afirmando, estou analisando”, explicou, detalhando que a situação está sendo investigada.

Inclusive, a liberação para os ônibus circularem pelas ruas para ‘queimar diesel’ foi constatada pela reportagem do Jornal Midiamax, em reportagem publicada no dia da publicação do decreto de intervenção. Leia aqui: ‘Um atrás do outro’: campo-grandense se espanta com quantidade de ônibus rodando após intervenção.

Naquele momento, o grupo de intervenção ainda não havia assumido, na prática, o controle operacional do transporte coletivo de Campo Grande.

Justiça avalia perícia sobre possíveis desvios de verba da concessão

Garagem da Viação Cidade Morena foi vendida à imobiliária da família Constantino (Léo de França, Jornal Midiamax)

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O autor da ação popular que resultou na intervenção, Luso Gabriel de Souza Queiroz Batista, acusa os donos do Consórcio Guaicurus de manobras para desviar o montante através de transferências atípicas e ilegais feitas do caixa da concessionária para empresas particulares da família Constantino.

Consta nos autos que o suposto desvio teria ocorrido de duas formas. Uma delas teria sido através da venda da principal garagem do Consórcio para uma empresa dos Constantinos pela metade do valor de mercado e a outra teria sido através de transferências entre 2019 e 2021 para a Viação Cidade dos Ipês, que não faz parte do Consórcio e foi criada pelos empresários para administrar a garagem da Viação São Francisco, na Avenida Euler de Azevedo esquina com a Avenida Tamandaré. Porém, a garagem foi vendida e a empresa Cidade dos Ipês foi extinta em 2023.

Para provar, o autor pede que o juiz autorize a perícia contábil para rastrear o destino final dos R$ 32 milhões e avaliar o real valor de mercado da garagem vendida pela metade do preço registrado na contabilidade. Pede ainda que a Receita Federal e o Ministério Público se manifestem no processo para informar se já existem investigações em andamento.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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