A PF (Polícia Federal) cancelou o depoimento que o senador Flávio Bolsonaro (PL) prestaria nesta terça-feira (28) no inquérito que investiga suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em documento apresentado à PF e encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), os advogados do senador solicitaram que, em vez da oitiva, as justificativas apresentadas por escrito sejam suficientes para a investigação. O material será analisado pela polícia para avaliar se as informações prestadas são suficientes.
A investigação é ligada a uma postagem publicada por Flávio na rede social X, em 3 de janeiro de 2026. Nela, o senador associou imagens de Lula ao então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e adicionou uma mensagem à postagem, afirmando que o petista “será deletado”.
Em seguida, fez uma listagem de crimes, como lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas, apoio a terroristas e ditaduras e fraude eleitoral. A defesa do candidato à Presidência afirma que não houve atribuição falsa de fatos a Lula.
Para investigadores, o conteúdo indicava que os crimes listados seriam as razões pelas quais Lula seria “deletado”.
Em uma decisão anterior, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acolheu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) favorável à realização do depoimento. Em registro, foram solicitadas à defesa de Flávio sugestões de datas e horários para a oitiva, sendo apontado também que os advogados não apresentaram nenhuma documentação que comprovasse a impossibilidade de comparecimento.
Defesa do senador
Em apresentação à PF, a defesa afirma que a publicação tinha duas notícias verdadeiras, seguidas de dois comentários independentes entre si. O primeiro comentário representaria algo que poderia acontecer no futuro e não seria necessariamente direcionado a Lula.
Já o segundo fazia alusão apenas a Nicolás Maduro e citava acusações atribuídas a ele formalmente pela Justiça estadunidense. O argumento da defesa é que, para se configurar como crime de calúnia, é necessária a atribuição a um fato específico e falso, que, segundo os advogados, não ocorreu.
A defesa ainda tece críticas à condução da investigação, afirmando que todos os pedidos de provas que comprovem uma relação política entre Maduro e Lula, além da notoriedade da postagem, foram negados. Os advogados apontam que a comparação entra no âmbito da liberdade de expressão na natureza política.
*Com informações do G1.
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(Revisão: Nichole Munaro)





