Com a intensificação do El Niño, Mato Grosso do Sul deve registrar chuvas acima da média entre setembro e novembro de 2026. No entanto, a precipitação não será capaz de evitar ondas de calor severas, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).
As previsões apontam para 100% de probabilidade de ocorrência do El Niño, com chance entre 70% e 90% de alcançar a categoria “muito forte”. “A tendência é aumentar os efeitos do El Niño com a chegada de setembro”, explica Valesca Fernandes, coordenadora do Cemtec.
A maior parte do Estado tem média histórica de chuva entre 300 mm e 400 mm, de setembro a novembro. No sul de MS, a variação é de 400 mm a 500 mm; e no noroeste, de 200 mm a 300 mm. O Cemtec prevê que os acumulados devem superar esses valores no próximo trimestre.
Já a média histórica de temperaturas varia entre 22°C e 26°C na maior parte do território sul-mato-grossense e também deve ser superada entre setembro e novembro de 2026. Dessa forma, a maioria do Estado está em nível de “Alerta” e “Atenção” para incêndios florestais. O alerta principal vale para o Pantanal, norte e nordeste de MS.
Risco de fogo
No Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência é de que o fenômeno provoque atraso nas chuvas e aumente as ondas de calor e o risco de incêndios. No Norte e no Nordeste, o destaque é para as secas prolongadas. Já no Sul do Brasil, as chuvas devem aumentar, causando risco de enchentes e deslizamentos.
Mato Grosso do Sul fica no Centro-Oeste, mas está próximo das regiões Sul e Sudeste. Dessa forma, os impactos podem variar dentro do Estado, considerando as características de cada região.
O Cerrado de Mato Grosso do Sul concentra as principais áreas em “alerta” no Estado para riscos de incêndios florestais entre setembro e novembro, enquanto o Pantanal está classificado como área de “atenção”, conforme o mapa de probabilidade de fogo elaborado pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
O que é El Niño?
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele enfraquece os ventos tropicais, altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e a temperatura em várias partes do planeta.
Os efeitos em Mato Grosso do Sul variam de um ano para outro e dependem da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos.
Nos últimos 24 anos, 15 tiveram El Niño, sendo que, em 2016, 2023 e 2024, o fenômeno recebeu a classificação “forte” ou “muito forte”. Em oito das 15 ocorrências, a temperatura média anual ficou acima do esperado. Além disso, o volume de chuva ficou acima da média em nove desses anos.
Em 2024, o El Niño foi classificado como “forte”, mas as chuvas ficaram abaixo da média e as temperaturas, acima. Em 2023, ele recebeu a mesma classificação e teve chuvas e temperaturas elevadas. Já em 2016, o fenômeno foi “muito forte”, mas os termômetros terminaram o ano abaixo da média, enquanto as chuvas ficaram acima do esperado.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







