Quando se fala em El Niño, calor, seca e queimadas costumam ser os primeiros efeitos lembrados. Em Mato Grosso do Sul, porém, os períodos prolongados sem chuva também podem afetar o abastecimento de água, dificultar a higiene e aumentar o risco de doenças como leptospirose, hepatite A e diarreias.
Neste ano, o fenômeno climático — associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial — está em desenvolvimento e deve ganhar força já em setembro. A previsão indica que o período de maior intensidade deve ocorrer entre outubro e dezembro.
Para Mato Grosso do Sul, o cenário inclui temperaturas elevadas, irregularidade das chuvas, estiagem, veranicos e possibilidade de incêndios florestais. Os efeitos do fenômeno podem se estender até o verão de 2027.
Diante dos possíveis impactos à saúde da população, o Cievs-CG (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Campo Grande) emitiu um alerta epidemiológico com orientações preventivas aos serviços de saúde.
Falta de água pode favorecer doenças

Segundo o alerta epidemiológico, a redução das precipitações pode diminuir a umidade do solo e a disponibilidade hídrica, trazendo impactos no abastecimento e no acesso à água potável.
Em períodos de estiagem, a menor oferta de água também compromete práticas de higiene e aumenta a concentração de contaminantes em corpos d’água.
O documento relaciona esse cenário ao risco de disseminação de doenças transmitidas pela água ou associadas à falta de condições adequadas de higiene.
Entre as doenças citadas, estão:
- Síndrome diarreica aguda;
- Desidratação;
- Cólera;
- Febre tifoide;
- Hepatite A;
- Leptospirose.
Conforme o documento, populações rurais, comunidades isoladas, moradores de assentamentos, povos indígenas e comunidades tradicionais estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da redução da disponibilidade hídrica.
Chuvas intensas também exigem atenção

Apesar da previsão indicar maior incidência de estiagem, o alerta também considera os riscos provocados por eventos de chuva intensa. Em situações de alagamentos e inundações, aumenta o risco de leptospirose e doenças diarreicas, além da possibilidade de acidentes e interrupção da assistência à população afetada.
Além disso, os eventos climáticos extremos podem provocar perdas econômicas, ambientais e familiares, associadas ao estresse, à ansiedade e ao sofrimento psicossocial.
Serviços de saúde em alerta
O Cievs orienta os serviços de saúde a monitorarem aumentos inesperados ou mudanças no padrão habitual de atendimentos, internações e mortes relacionados aos eventos climáticos.
Entre os principais sinais de alerta, estão:
- Aumento de casos de síndrome diarreica aguda;
- Crescimento dos registros de leptospirose e hantavirose;
- Aumento de casos de arboviroses;
- Elevação dos atendimentos por doenças respiratórias;
- Intoxicações relacionadas à inalação de fumaça;
- Casos de desidratação, queimaduras e insolação;
- Acidentes provocados por inundações ou estiagem;
- Acidentes com animais peçonhentos e traumas.
Calor intenso no radar
Além da irregularidade das chuvas, o cenário previsto para Mato Grosso do Sul inclui períodos de temperaturas elevadas. A exposição prolongada ao calor pode provocar hipertermia e sintomas como transpiração excessiva, tontura, dor de cabeça, fraqueza, cãibras, náuseas e vômitos, pressão baixa, respiração curta e acelerada, desmaios e convulsões.
O alerta recomenda procurar atendimento de saúde em caso de mal-estar provocado pelo calor.
Leia também:
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)








