A dívida da Santa Casa de Campo Grande com os médicos que atuam no hospital pode chegar a quase R$ 50 milhões até o fim de outubro, caso os profissionais continuem sem receber pelos serviços prestados. A estimativa considera o acúmulo de seis meses de pagamentos em atraso. Atualmente, cerca de 300 médicos contratados como Pessoa Jurídica (PJ) aguardam os repasses, que representam um custo mensal de aproximadamente R$ 8,5 milhões para a instituição.
O cenário foi atualizado pelo presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Marcelo Santana. Segundo ele, até o momento, nenhuma competência foi paga, apesar de as negociações envolvendo a Santa Casa, o município de Campo Grande e o Governo do Estado continuarem em andamento.
Em levantamento anterior, apresentado pelo sindicato, a dívida era estimada em R$ 32 milhões, considerando cinco meses de atrasos. Posteriormente, durante audiência no Ministério Público de Mato Grosso do Sul, realizada em 14 de outubro, foi apresentado um cálculo de aproximadamente R$ 40 milhões. Agora, com a continuidade dos débitos, o valor pode se aproximar dos R$ 50 milhões.
“Não teve nenhuma competência ainda paga, mas as negociações continuam. Pelo que está andando, haverá novas contratações, principalmente com o município de Campo Grande e com o Estado. Parece que estão caminhando de uma forma positiva”, afirmou Marcelo.
O presidente do sindicato avalia que, caso as tratativas avancem e os novos contratos sejam efetivados, poderá haver uma melhora na regularização dos pagamentos. Apesar da situação financeira, ele afirma que não há previsão de fechamento de serviços neste momento.
Serviços continuam, mas com mudanças
Entre as especialidades que enfrentam dificuldades está a anestesiologia. Conforme Marcelo, os profissionais devem manter os atendimentos até o fim de novembro. A continuidade ocorre em meio às negociações para quitar os valores atrasados.
Na urologia, que também chegou a sinalizar a possibilidade de encerramento dos atendimentos, um número menor de profissionais deverá continuar trabalhando na unidade. Os demais serviços seguem sem novas alterações anunciadas, enquanto as negociações permanecem em andamento.
A situação preocupa porque a anestesiologia é considerada essencial para o funcionamento do hospital, já que a suspensão da especialidade poderia comprometer a realização de cirurgias e outros procedimentos.
Em 13 de outubro, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que a Servan Anestesiologia de Campo Grande e a Sedar (Serviço Especializado em Anestesiologia e Dor) mantivessem a prestação de serviços à Santa Casa por 45 dias, enquanto as partes buscavam um acordo para os pagamentos em atraso.
Durante audiência no Ministério Público, o promotor de Justiça Marcos Dietz destacou que a falta de anestesiologistas poderia provocar a paralisação das atividades hospitalares. O prazo estabelecido pela Justiça busca garantir a continuidade dos atendimentos enquanto as negociações avançam.
Santa Casa de Campo Grande restringe atendimentos
Em coletiva nesta quinta-feira (15), o superintendente hospitalar e gestor temporário da Santa Casa de Campo Grande, Luiz Alberto Kanamura, afirmou que o hospital vai restringir o atendimento no pronto-socorro adulto, priorizando pacientes encaminhados pela regulação municipal ou estadual.
Assim, quem procurar o hospital diretamente poderá receber os primeiros socorros, mas não terá a internação ou a continuidade do atendimento garantidas. Segundo Kanamura, a medida busca adequar os atendimentos aos serviços contratados pelo SUS, em meio à crise financeira do hospital.
Por fim, o Ministério Público pontuou que, apesar da previsão de aumento de R$ 4 milhões nos repasses mensais, a Santa Casa ainda pode registrar déficit de R$ 15 milhões a R$ 19,7 milhões por mês. Portanto, o novo contrato não é suficiente para resolver o desequilíbrio financeiro e cobrou um plano de recuperação que garanta a continuidade dos atendimentos.
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