“Ai que lindos, eu quero”, “Fiquei apaixonada, mas não posso pegar”, “Ninguém pra adotar? Eu já tenho 20 aqui em casa, senão pegava”, “Não tenho condições, mas, se pudesse, adotava”.
Toda vez que alguma publicação nas redes sociais anuncia animais de rua para adoção, a chuva de comoção é instantânea. Eles podem ser lindos, amáveis, ariscos, seja o que for… a enxurrada de “solidariedade” virtual é imensa.
Mas adotar mesmo, pegar para cuidar, dar banho, alimentar, levar ao veterinário e criar já é outra história… Na última semana, caso registrado no bairro Nova Campo Grande, na Capital, é um exemplo disso.
Anúncio de oito gatinhos em um terreno rendeu 2,6 mil curtidas, 447 comentários e 829 compartilhamentos em um grupo de animais achados e perdidos na cidade. Muita gente ficou “encantada” com os felinos e a maioria das interações vinha com a seguinte cobrança: “Cadê alguém para ajudar?”.
Porém, conforme a mulher que trata desses gatos de rua, apesar da grande manifestação de compaixão nas redes, nenhuma pessoa apareceu querendo adotar. Nenhuma.
A situação indignou uma moradora do bairro, que desabafou em conversa com o Jornal Midiamax. “Povo é bom de comentar e criticar, mas ruim de adotar. Fica aqui perto de casa, ainda estão todos lá. Pelos comentários, achei que nem teria mais. Mas eu sabia que era só papo. Cobram solidariedade, mas não fazem nada”, observou.

Comentar cobrando e não adotar é hipocrisia?
Segundo ela, a mulher que trata dos bichanos teria avisado que eles são muito ariscos e, por isso, ninguém consegue pegar. “Mesmo assim, ela disse que não veio ninguém atrás”.
Ou seja, nos comentários, uma multidão dizia querer adotar os gatinhos, mas, na prática, isso nem sempre acontece. A atitude, inclusive, é muito comum nos grupos que divulgam animais em situação de rua, mas não pode ser reduzida ao argumento da hipocrisia — que basicamente consiste em exigir dos outros aquilo que não se pratica.
O amor pelos animais costuma sempre falar mais alto e é o que leva a maioria a se manifestar. No entanto, embora sintam vontade de criar os bichos, muitos dos apaixonados por pets esbarram em poucas condições financeiras, excesso de animais em casa e falta de estrutura para criá-los.
Ainda assim, deixam seus comentários solidários e até mesmo doloridos em posts pedindo adoção. Em uma das reações na publicação do bairro Nova Campo Grande, uma tutora acusou os demais de serem hipócritas. Porém, internautas fizeram questão de deixar claro: não é bem assim.
Recolher um gato ou cachorro de rua exige responsabilidade, tanto afetiva quanto financeira. Ver publicações na internet mexe com os sentimentos dos amantes da causa animal, e isso os leva a querer se expressar.
Apesar do tom de cobrança, muitas vezes acompanhado de inércia, há também a consciência da incapacidade de adotar os bichos, seja por limitações de dinheiro ou pela falta de ambiente adequado para criá-los. Vale lembrar que a multiplicação de gatos de rua é considerada um problema de saúde pública em Campo Grande (MS), do qual protetores cobram as autoridades competentes.
O que fazer ao encontrar animais em situação de abandono em Campo Grande?
Em Campo Grande, o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) é responsável por fazer o recolhimento de animais que estejam soltos em vias públicas, doentes ou que apresentem comportamento agressivo — nesses casos, eles são considerados risco à população. A equipe de médicos-veterinários avalia o animal recolhido, administra medicação contra verminoses e outros parasitas, para, depois, colocá-lo para adoção.
No caso de animais portadores de doenças e/ou ferimentos considerados graves, e/ou clinicamente comprometidos, caberá ao médico-veterinário do órgão municipal responsável pelo controle de zoonoses, após avaliação e emissão de parecer técnico, decidir seu destino.
Caso se depare com um animal nessas condições, para que o recolhimento seja realizado, o contato é (67) 3313-5000 ou (67) 3313-5001.
Ferramenta on-line do Governo do Estado também ajuda em casos de denúncias de maus-tratos ou abandono. A população pode recorrer diretamente à plataforma on-line da Devir (Delegacia Virtual), acessando http://devir.pc.ms.gov.br/. O sigilo do denunciante é garantido, e a ferramenta possibilita o acompanhamento do caso.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)














