O presidente da Câmara de Vereadores de Ivinhema, Celso Miranda Alves de Souza, conhecido como Bira (PSDB), afirmou que está “desatualizado” sobre a implicação da cidade na Operação Gutenberg, que investiga fraudes de R$ 27 milhões na compra de livros e desvios na saúde em diversos municípios de Mato Grosso do Sul.
A suspeita é de que o grupo condicionava a autorização de procedimentos (como exames, cirurgias e vagas de leitos em hospitais pela rede estadual) à aquisição de livros vendidos pelo grupo.
Parte da investigação mira contratos firmados com a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) e prefeituras de Mato Grosso do Sul. Um desses contratos foi firmado em julho de 2022 com a Prefeitura de Ivinhema, pelo valor inicial de R$ 586.862,50, mas foi aditivado em agosto daquele ano (menos de um mês depois) e totalizou R$ 874.130,00.
A reportagem procurou o representante da Câmara Municipal para perguntar se seria aberta uma investigação após a operação, mas o presidente da Mesa Diretora admitiu que não acompanhou o caso.

“Mas nós não fomos ainda notificados pelo MP, não tô sabendo”, afirmou. Ao ser questionado sobre ter acompanhado a operação, ele perguntou: “Operação do quê?”. Após ser respondido, o tucano começou a listar problemas que o teriam impedido de se inteirar da operação. “Minha amiga, eu tô com tanta coisa pra resolver aqui, Câmara, eleitor, tudo, problema de saúde, eu tô desatualizado”, disse.
A Prefeitura de Ivinhema foi uma das mencionadas para serem oficiadas pelo MPMS a apresentar informações sobre os contratos firmados com a Editora Avante.
A reportagem insistiu com a pergunta sobre a gravidade das investigações, e o vereador disse que responderia apenas pessoalmente, para “saber realmente” que conversava com alguém do Midiamax.
Ao ser informado de que se tratava de um pedido de posicionamento oficial e ser questionado sobre a Casa de Leis ter interesse em investigar o contrato de quase R$ 900 mil, o tucano se irritou e desligou a ligação.
Outra cidade implicada na operação foi Miranda. Por lá, a Casa de Leis mandou um ofício à prefeitura do município, solicitando acesso ao contrato alvo da operação.
Prefeito negou compra de livros em troca de liberar procedimentos de saúde
O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, que já estava no cargo em 2022, negou à reportagem do Jornal Midiamax que o município tenha comprado os livros da editora em troca de liberação de vagas na saúde. “Essa troca de vagas que está sendo apontada, não fazemos parte disso”, afirmou.
O prefeito também disse que já encaminhou toda a documentação referente ao contrato para o Gaeco e disse estar “à disposição das autoridades”.
Um dos pontos suspeitos levantados é que a empresa havia sido aberta há menos de um ano antes do contrato e o fato de ter um capital social de R$ 40 mil, além de estar sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
Sobre como a Prefeitura de Ivinhema chegou até essa ‘pequena’ editora sediada no estado vizinho, Ferro não soube responder. “Não lembro, foi 2022, faz quase 5 anos isso. É tanta contratação que a prefeitura faz”, disse, garantindo ter visto o material didático entregue, segundo ele, em perfeitas condições e dentro do prazo.
Por fim, negou ter havido qualquer tipo de propina dos empresários para ganharem o contrato. “Nós aqui não fazemos esse tipo de coisa. Nunca tivemos envolvimento em escândalos de corrupção desse e nem vamos ter. Temos 4 contas aprovadas pelo Tribunal de Contas. Nunca estive envolvido em corrupção ou esquema de propina durante os 6 anos da minha gestão”, concluiu.
O advogado que representa a empresária Rossana não respondeu aos questionamentos. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Rhayane. O espaço segue aberto para posicionamento.
Confira os presos na Operação Gutenberg:
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil;
- Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
- Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
- Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
- Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
- Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
- Joatan Gomes Peixoto – empresário;
- Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
- Francisco Anízio dos Santos – empresário;
- Douglas Henrique de Melo – empresário;
- Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
- Gabriel Taquino de Paula – advogado.
Outros dois investigados continuam foragidos. Um deles é Giovanni Paroschi Jafar, no núcleo familiar das gráficas Jafar. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu na terça (7) Rossana Paroschi Jafar e os filhos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar.
Giovanni é sócio da gráfica Bold Tech Ltda. (CNPJ 15.508.499/0001-10), de layout e comunicação visual, e da empresa Nerd Lab Tecnologia e Comunicação Digital Ltda. (CNPJ 38.294.077/0001-94).
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






